“NÃO DEIXE O SAMBA MORRER”. NEM A CONSTITUIÇÃO!

Ano 13 – vol. 10 – n. 95/2025

https://doi.org/10.5281/zenodo.17359376

Há quem diga que o Brasil é o país do samba — e talvez seja mesmo. Mas há um tipo de samba que desafina quando o surdo marca o compasso da conveniência e o pandeiro bate fora do ritmo da consciência. Quando o “Meu Ébano” se transforma em símbolo de poder e não de arte, “Gostoso Veneno” é ver o talento se curvar diante do autoritarismo, e “Faz Uma Loucura por Mim” vira o hino dos que, em nome da paixão política, abandonam a ética pública.

De repente, “A Voz do Samba” que ecoava contra a injustiça soa como “A Loba” domesticada, aplaudindo aquele que fez da Constituição “Um Poema Mudo”. O mesmo que transformou direitos fundamentais em “Fruto e Raiz” arrancados ao sabor da conveniência. E a artista — aquela que o povo batizou com a cor mais intensa da paleta tropical, a marrom, mistura viva de terra e sangue — parece preferir agora o silêncio confortável de “Depois do Prazer”, como se o aplauso fosse bálsamo para o esquecimento.

Ironias à parte, a história insiste em repetir o refrão: quem antes cantava “Pra Que Chorar”, hoje ajuda a chorar a República. O palco onde ecoava “Da Cor do Brasil” virou cenário de “Profissão: Cantora” em tom de propaganda. O microfone que já defendeu “Nosso Nome: Resistência” agora entoa versos de submissão. O que era “Sufoco” da alma popular virou “Entidade” dos poderosos; e aquele grito de “Você Me Vira a Cabeça” parece ter sido tomado ao pé da letra por quem se deixou encantar pelo canto do poder.

Mas o povo — esse sim — ainda acredita que “Não Deixe o Samba Morrer” vale também para a democracia. Que o mesmo gesto de cantar “Pulsa, Coração” sirva para lembrar que uma Constituição também pulsa, e que violá-la é como rasgar a partitura da liberdade.

Quando a marrom das marroms, outrora senhora dos palcos e do verbo indignado, empresta sua voz ao coro da conveniência, o país parece escutar um estranho “Desafio” ético: entre o compasso da música e o compasso moral, qual desafinará primeiro?

E assim fica o povo, entre o “Meu Vício é Você” e o “A Flor e o Espinho” da política, tentando ainda “Voltar” à cadência do respeito. Porque há quem creia que o samba é só ritmo; mas há quem saiba que ele é também consciência, história e alma.

No fim, resta a pergunta que ecoa como refrão final:
Se até a Rainha de Tons Quentes se rende ao poder, quem ainda dançará “O Surdo” da consciência?
E quando a história cobrar o bis, o que se ouvirá? O eco distante de “A Paixão tem Memória” — ou o silêncio de quem trocou o samba pela conveniência?

Entre o samba e a Constituição há um compasso moral que não admite desafino. A marrom — símbolo da cor viva da resistência — bem sabe que um povo sem memória é como um tamborim sem pele: faz barulho, mas perdeu a alma.

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