Ano 01 – vol. 08 – n. 08/2013
Ontem (27/08/2013) assisti (como milhões de brasileiros) ao programa “Profissão Repórter” da TV Globo.
Confesso que fiquei estarrecido com a amostra (a coisa é bem pior) do que vi.
O programa foi sobre o atendimento (ou a falta dele) na rede pública hospitalar de alguns estados do Brasil. Então, sabia que o desfecho não teria outro coadjuvante, senão o Estado do Maranhão, onde seriam construídos 72 (setenta e dois) hospitais há anos atrás. Que vergonha!
Quero, logo, lembrar: não sou filiado a partido político; defendo a candidatura avulso, mas sou cidadão, pago impostos, logo, falo em nome próprio.
O Maranhão, há anos, vem sendo identificado no Brasil como sinônimo de atraso, ausência de políticas públicas suficientes e eficientes. Mas este é o Maranhão real, não aquele que tem sido apresentado em programas maciçamente veiculados nas televisões locais em ano pré-eleitoral, com o beneplácito dos fiscais da lei, a um custo que não se sabe (ou será que não se quer saber!) astronômico.
O Maranhão de que falava o Padre Vieira, hoje, se divide em dois: o Maranhão virtual e o Maranhão real.
O Maranhão virtual é britânico; o Maranhão real é parecido com o Zimbabue.
No Maranhão virtual as pessoas que podem, de algum modo, influir, silenciam como se estivesse alheios a uma realidade que ocorre a cada semáforo. É assim no meio intelectual, no meio jurídico, no meio político, no meio religioso e por aí vai.
A omissão…terrível doença que tem nos homens os maiores portadores e transmissores!
Não sei até quando perdurará este estado de coisas, mas desejo que na próxima conferência que eu for ministrar fora daqui eu não tenha que dizer que sou de um Maranhão real, em que saber jurídico não credencia jurista, mas o “jus sanguinis” é o passaporte para abrir portas. Em que, para ser Doutor, é preciso recorrer ao Poder Judiciário. Em que falar o que se pensa não significa ser contra pessoas, mas a favor de ideias.
Eu vivo no Maranhão real!
Irriquieto? Intransigente? Prepotente? Já me acostumei às farpas lançadas, até por aquele que um dia bateram às portas implorando socorro, e que hoje se sentem acima da lei e com a ingratidão estampada na face.
Na verdade estou é insatisfeito, triste, sobretudo quando vejo, em rede nacional, uma realidade que não é mostrada na televisão local.
Lastimo, profundamente, que o real neste meu desabafo seja uma realidade inconteste mostrada pelo programa de televisão.
O britânico tem saúde, transporte, mobilidade segurança, educação, disciplina, respeito. Tudo o que o Maranhão virtual diz ter.
Do Maranhão real assisti horrores. O Maranhão virtual festeja clamores.
– I beg your pardon?!