A MULHER: realidade biológica, respeito humano e a necessidade de liberdade intelectual

Ano 14 – vol. 03 – n. 29/2026

https://doi.org/10.5281/zenodo.19049633

Vivemos um tempo curioso. Em muitas ocasiões, aquilo que durante séculos foi considerado evidente passou a exigir explicações. Não porque a realidade tenha mudado em sua essência, mas porque o debate público frequentemente se tornou confuso, misturando linguagem, ideologia e fatos objetivos. Entre esses temas está a própria definição do que seja uma mulher.

Antes de qualquer polêmica, convém recordar algo simples: a ciência descreve a mulher como a pessoa do sexo feminino da espécie humana. Essa definição repousa em critérios biológicos claros, presentes na genética, na fisiologia e na reprodução. A biologia identifica o sexo feminino pela combinação cromossômica XX, pelo desenvolvimento de estruturas reprodutivas próprias e pela capacidade — ainda que potencial — de gestar e dar à luz novos seres humanos.

Essa constatação não é fruto de crença cultural nem de preferência ideológica. Trata-se de um dado científico consolidado em áreas como a biologia, a medicina e a genética.

Mas a mulher não é apenas um conceito biológico. Na experiência humana concreta, ela também é presença afetiva, familiar e social. Todos nós compreendemos o significado da palavra “mulher” a partir de nossas próprias histórias: a mãe que nos deu a vida, a avó que transmitiu valores, as companheiras que partilharam caminhos, as filhas que representam continuidade e esperança. A palavra carrega, portanto, não apenas um sentido científico, mas também uma dimensão profundamente humana.

A história da humanidade está marcada pela força feminina. São mulheres que gestam, que nutrem, que educam e que frequentemente sustentam, com coragem silenciosa, o cotidiano das famílias e das comunidades. A maternidade, quando ocorre, é uma das expressões mais visíveis dessa realidade biológica e humana: a capacidade de gerar vida, alimentar e proteger o recém-nascido. Mesmo quando essa experiência não se realiza, a condição feminina permanece definida pela mesma base biológica que caracteriza o sexo feminino.

Entretanto, o debate contemporâneo tem sido atravessado por um fenômeno que pouco contribui para o esclarecimento: o radicalismo. Em diversos momentos da história, quando ideias passam a ser impostas como dogmas inquestionáveis, abre-se caminho para formas de autoritarismo intelectual. A ciência deixa de ser instrumento de conhecimento e passa a ser pressionada a confirmar narrativas previamente estabelecidas.

Esse fenômeno não é novo. O radicalismo sempre foi um obstáculo ao progresso humano. Quando sociedades deixam de discutir ideias livremente e passam a impor definições pela força cultural, política ou moral, o resultado quase sempre é o atraso. O autoritarismo, ainda que revestido de boas intenções, tende a sufocar o pensamento crítico e a liberdade de investigação.

A evolução da humanidade ocorreu justamente pelo caminho inverso: o debate aberto, a liberdade científica e o reconhecimento honesto da realidade. Foi assim na medicina, na física, na biologia e em praticamente todos os campos do conhecimento. Sempre que a verdade factual foi substituída por imposições ideológicas, o resultado foi regressão.

Isso não significa negar respeito a quem quer que seja. O princípio da dignidade humana exige que todas as pessoas sejam tratadas com consideração, independentemente de suas escolhas pessoais, identidades ou formas de viver. O respeito é condição essencial da convivência civilizada.

Mas respeito não exige negar fatos. A convivência madura pressupõe duas atitudes simultâneas: reconhecer a dignidade de cada indivíduo e manter honestidade intelectual diante da realidade. Uma sociedade livre precisa preservar ambos os valores.

Assim, afirmar que mulher é o ser humano biologicamente feminino não constitui um ato de exclusão. Trata-se simplesmente de reconhecer uma realidade científica que precede qualquer disputa ideológica. O diálogo social não se fortalece quando a realidade é negada, mas quando diferentes perspectivas podem conviver sem coerção.

Em última análise, reconhecer a mulher em sua realidade biológica também é uma forma de valorizá-la. É reconhecer que há algo singular no feminino — uma combinação de corpo, história e experiência que moldou civilizações inteiras.

A mulher, nesse sentido, não é uma construção arbitrária nem um simples rótulo linguístico. É uma realidade concreta da natureza humana — e, ao mesmo tempo, uma presença que atravessa a história como fonte de vida, cuidado e beleza.

Respeitar todas as pessoas é um dever moral. Reconhecer a verdade factual da biologia é um dever intelectual. E resistir ao radicalismo e ao autoritarismo — venham de onde vierem — é uma condição necessária para que a humanidade continue a avançar em liberdade, conhecimento e dignidade.

O VENTO VENCEU, OU…PERDEU, PLAYBOY!

Ano 09 – vol. 01 – n. 09/2021

Quando a Dilma falou em ensacar o vento eu me diverti – e sempre vou me divertir com o fato.


Quando ela disse que quem ganhar e quem perder vai ganhar e perder, continuei a me divertir.


Quando ela saudou a mandioca eu logo percebi que a mandioca era um “ser” superior a ela e também me diverti.


Na realidade eu me diverti e continuo a me divertir com as estultices dela. Mas se há uma coisa que eu não posso desconhecer é que ela conseguiu ser vencida por alguém mais pujante do que ela. Na dimensão de tolice, claro.


Sim, ele, aquele indivíduo que um dia usou cabelos longos, mas continua a ser playboy em alguns trejeitos. O mesmo que chora lágrimas de Lacoste (crocodilo não se ajusta a suas calças).


Ao convida-la para tomar a vacina chinesa em São Paulo, prioritariamente, a Dilma recusou o convite, alegando que outras pessoas merecem ser priorizadas e que ela se sente bem. Foi o que noticiou a imprensa.


Eu poderia insistir na piada sobre a cabeça de vento, mas não o farei. Desta vez até a Dilma teve mais sensatez para suplantar o oportunismo mais explícito do que aquele choro ensaiado.


O Brasil, definitivamente não é país para amadores. Em todo o mundo – até hoje – não vimos presidentes, governadores, prefeitos ou quem deles as vezes façam, transformarem a pandemia e a vacina em espetáculos circenses e eleitoreiros. É de uma idiossincrasia a toda prova.


Mas hoje devo reconhecer que a Dilma (não sei se conscientemente, é claro) deu uma “vacina de água fria” no Dória – ou vocês achavam que aquelas calças caberiam em alguém que não fosse ele? – e desmoralizou sua tentativa de montar mais um palanque para o espetáculo obsessivo de se tornar candidato à presidência da república.


Não foi dessa vez. Perdeu, playboy!

PICADEIRO DA IMUNIZAÇÃO

Ano 09 – vol. 01 – n. 07/2021

Finalmente, e de forma emergencial, a ANVISA, Agência do Estado (e não do governo, como alguns supunham) autorizou o uso das vacinas.

Foram autorizadas de forma precária a utilização da Sinovac e da Oxford. A primeira, chinesa, em parceria com o Butantã. A segunda, com a Fiocruz.

É a sinalização demorada, mas nunca tardia, de combate a essa praga que tornou o mundo diferente pelas limitações e o Brasil mais gravemente doente, pela polarização habitual do “Fla x Flu” de ideias e especialistas de redes sociais.

Mas o que deveria ser comemorado a bem da humanidade transformou-se em uma pendenga eleitoral entre os que defendem o governo federal ou, mais particularmente, o presidente Jair Bolsonaro, e aqueles que se misturam em uma frente inorgânica de oposição. Ciência é cosmético que se utiliza conforme o interesse de cada argumento.

A situação é circense. O ministro da saúde com sua sutileza de elefante em lojas de cristal e a sinceridade das lágrimas de crocodilo do governador João Dória, bem revelam que há um jogo de xadrez, embora em um alguns devessem ser trancafiados. Autoridades outras tentando apropriar-se do acontecimento, como tivessem estorvo para tanto, já com achegas de sua troupe sempre a cerrar os punhos com frases que só revelam a resistência em transpor a adolescência.

A pandemia circense chega a dar náuseas.

Uma novela que se arrasta por meses e que tem no seu âmago a disputa de poder, coadjuvada pela mídia deformadora e desinformadora dos fatos.

É um circo. Nossos políticos são o que há de mais abjeto nesta humanidade. Uns vermes que deveriam ser estudados pela psicologia, psiquiatria e todas as derivantes da criminologia e ciência penal existentes. Um escárnio.

Rogo a Deus pelo êxito dessa vacinação, para que tenhamos um cenário melhor no ano que se inicia. Que vidas sejam salvas e que se possa evitar mais contaminações.

O circo continuará. Os próceres do espetáculo se aproveitarão com as atrações da “primeira enfermeira, primeira mulher negra, primeiro gay, primeiro, índio, primeiro nordestino, primeiro idoso” etc etc etc.

A imunização, que neste momento deveria ser um ato de humanização, não consegue, pelo comportamento palhaços deste circo, ir além de um picadeiro da imunização.

SAUDAÇÕES DA REALEZA (OU A SAÚDE BRITÂNICA)

Ano 01 – vol. 08 – n. 08/2013

Ontem (27/08/2013) assisti (como milhões de brasileiros) ao programa “Profissão Repórter” da TV Globo.

Confesso que fiquei estarrecido com a amostra (a coisa é bem pior) do que vi.

O programa foi sobre o atendimento (ou a falta dele) na rede pública hospitalar de alguns estados do Brasil. Então, sabia que o desfecho não teria outro coadjuvante, senão o Estado do Maranhão, onde seriam construídos 72 (setenta e dois) hospitais há anos atrás. Que vergonha!

Quero, logo, lembrar: não sou filiado a partido político; defendo a candidatura avulso, mas sou cidadão, pago impostos, logo, falo em nome próprio.

O Maranhão, há anos, vem sendo identificado no Brasil como sinônimo de atraso, ausência de políticas públicas suficientes e eficientes. Mas este é o Maranhão real, não aquele que tem sido apresentado em programas maciçamente veiculados nas televisões locais em ano pré-eleitoral, com o beneplácito dos fiscais da lei, a um custo que não se sabe (ou será que não se quer saber!) astronômico.

O Maranhão de que falava o Padre Vieira, hoje, se divide em dois: o Maranhão virtual e o Maranhão real.

O Maranhão virtual é britânico; o Maranhão real é parecido com o Zimbabue.

No Maranhão virtual as pessoas que podem, de algum modo, influir, silenciam como se estivesse alheios a uma realidade que ocorre a cada semáforo. É assim no meio intelectual, no meio jurídico, no meio político, no meio religioso e por aí vai.

A omissão…terrível doença que tem nos homens os maiores portadores e transmissores!

Não sei até quando perdurará este estado de coisas, mas desejo que na próxima conferência que eu for ministrar fora daqui eu não tenha que dizer que sou de um Maranhão real, em que saber jurídico não credencia jurista, mas o “jus sanguinis” é o passaporte para abrir portas. Em que, para ser Doutor, é preciso recorrer ao Poder Judiciário. Em que falar o que se pensa não significa ser contra pessoas, mas a favor de ideias.

Eu vivo no Maranhão real!

Irriquieto? Intransigente? Prepotente? Já me acostumei às farpas lançadas, até por aquele que um dia bateram às portas implorando socorro, e que hoje se sentem acima da lei e com a ingratidão estampada na face.

Na verdade estou é insatisfeito, triste, sobretudo quando vejo, em rede nacional, uma realidade que não é mostrada na televisão local.

Lastimo, profundamente, que o real neste meu desabafo seja uma realidade inconteste mostrada pelo programa de televisão.

O britânico tem saúde, transporte, mobilidade segurança, educação, disciplina, respeito. Tudo o que o Maranhão virtual diz ter.

Do Maranhão real assisti horrores. O Maranhão virtual festeja clamores.

I beg your pardon?!