TOM, JERRY E OS IMBECIS

Ano 09 – vol. 02 – n. 14/2021

Hoje, ao passear pelas largas vias da internet, deparei-me com a informação de que Tom e Jerry sairá do Cartoon Network “ por ser politicamente incorreto”.

A princípio achei que se tratava de um Jerry qualquer, mas logo vi que é o ratinho mais divertido que já vi. E olha que este país tem ratos de gravatas aos borbotões!

Ainda atônito eu me pus a refletir e ao final me indaguei: Como, assim, politicamente incorreto?!

Bom, a luta de Jerry e Tom embalou gerações, inclusive a minha, que nas cantigas de roda atirava o pau no gato.

Confesso que ainda não compreendi onde estaria o politicamente incorreto. No levar vantagem sobre o Tom? Mas não é isso o que fazem os ratos de gravata que dizem representar nós (no caso) os gatos?

Seria demais lembrar do financiamento das campanhas eleitorais que pagamos? Talvez do autoritarismo judicial que assistimos? Quem sabe lembrar das autoridades arrogantes que, como damas da noite da boate azul, dão seus pitis, com a admiração silente de quem deveria defender a cidadania?

Eu imagino que Tom e Jerry, se pudessem sair do desenho, certamente, em armistício efêmero, diriam: Gente, isto é só um desenho animado.

Cá entre nós. Já imaginaram como seria cancelado (só para não perder a oportunidade do modismo) o “Poema Sujo” de Ferreira Goulart diante da fúrias dos imbecis que adoram censurar, mas mergulham em profunda crise existencial quando são confrontados com constatações visíveis?

Será que eles entenderiam o poema?!

Ora vejam só! O Brasil virou um cenário de guerra em que só um dos lados pode andar armado, porque são armas do bem. Ficou chato, ficou patético, ficou imbecilizado o país em que jornalistas são presos e torturados, mas isto não é politicamente incorreto. Obras são censuradas, mas isto também não é politicamente incorreto. A liberdade é tripudiada pelas “rainhas de copas” (para não esquecer Alice no país das maravilhas) e tudo parece normal.

Não. Não faço parte desse universo. Recuso-me a me misturar com esses insanos que, qualquer dia desses, imporão em manuais politicamente corretos o número de penetrações no coito, aquela prática que, se o falo houvesse sido tirado antes ou o preservativo usado, não produziria esse tipo de vermes.

Eles não tem vez e nem voz no desenho. Eles não tem poder sobre gerações que assistiram Tom e Jerry. Eles podem ter até a força, mas não conseguirão sequer ser assemelhados ao bom ratinho Jerry. Serão apenas o esterco de uma sociedade gravemente doente.

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