Ano 09 – vol. 03 – n. 25/2021
Razão não há para ignorar o cenário catastrófico que o mundo vive. O Brasil não escaparia por suas peculiaridades.
Louco é quem pensa que discordar representa ser contra a ciência. Eu mesmo sempre fui e sou a favor dela, por isso me preocupei tanto quando os médicos escravos estiveram no Brasil. Alheios à realidade, explorados profissionalmente, não passaram de peça de uma máquina enferrujada, cuja manutenção nos custou muito.
Mas aqui o quadro se agrava ainda mais. Não apenas pela extensão do país, mas porque aqui temos uma fábrica de cepas agressivas, que avançam sobre a pessoa humana com uma velocidade assustadora.
Há notícias de fraudes, roubos, sonegação de equipamentos, simulação de aplicação de vacina, enfim, uma paisagem que nem Picasso seria capaz de reproduzir, mesmo com a genialidade. É que a alma inspira, mas verme não tem alma e, no caso, apenas rasteja pela lama.
Pensaram o quê? Que eu falaria do vírus? Não. Não tenho qualificação técnico científica para falar do vírus, mas tenho responsabilidade tributária e por isso posso cobrar o meu dinheiro.
Como cidadão estou assistindo a duas pandemias. A que assola o Brasil carente de medicina pública, mas também aquela que merece um enfrentamento mais sólido e consciente: o show pirotécnico de políticos que estão com um único propósito: promover um impeachment.
Viram quantos hospitais de campanha foram montados e depois desmontados? Viram o show diário de aparições de políticos que se lançam a dar conselhos e resolvem sair do país deixando ao relento um povo todo? Viram o estímulo à fome com o fechamento radical do comércio em geral? Viram os discursos populistas que falam em auxílios com conotação de aposentadorias?
Pois é. Recursos públicos a rodo para a saúde, mas alguns gestores decidiram pagar servidores públicos que não recebiam há algum tempo, mas nossos sempre heróis engravatados não viram desvio de finalidade, desmotivação do ato administrativo, nada, simplesmente nada que tenha configurado improbidade administrativa. Uma lástima!
O povo tem responsabilidade nisso? Claro que tem. Primeiro, se não ajudar não sairemos tão cedo disso, não interessa quem esteja no poder.
Mas não se pode esquecer de que civilidade e responsabilidade social também se formam na escola. Faltou a educação não se pode esperar do povo uma resposta consciente imediata, a menos que seja cerceado o direito de ir e vir, com toque de recolher, a despeito de tudo o que diga a Constituição da República. Bom, mas aí é coisa de autoritário. Nenhum grau de ciência. Em lockdow há , é empirismo puro, que relembra uma frase atribuída ao último dos presidentes do governo militar, quando perguntado se não quisessem deixar fazer a abertura política. Teria ele dito: “Aí eu prendo, arrebento!”.
É preciso salvar vidas, claro, porque todos somos responsáveis, todos tem que fazer sua parte. Mas uma coisa é salvar vidas, outra é usar uma tragédia pública como palco de lutas políticas e projetos pessoais.