Ano 09 – vol. 07 – n. 55/2021
Adoro dicionários. É um hábito que tenho desde jovem consultá-los. No Colégio Batista nos estimulavam a buscá-los. Mas o episódio determinante para cultivá-los se deu em casa.
Conversávamos eu e meu pai e com um livro em mãos indaguei-lhe:
– Meu pai, o que significa…
Imediatamente recebi a explicação.
Prossegui minha leitura e, um pouco mais adiante, voltei a indagar:
– Papai, o que significa…
Qual não foi minha surpresa. Naquele momento, o que me transpareceu um grande “carão” na verdade se tornou uma das melhores lições da vida:
– Meu filho, vai ali no escritório e na primeira estante tem um livro grandão. Chama-se dicionário. Pesquise e depois nós conversaremos.
Assim nasceu minha curiosidade por dicionários. Eu tenho e uso vários, inclusive no aparelho celular.
Mas não estou relembrando estes fatos por um saudosismo. Na verdade os acontecimentos de ontem e de hoje me fizeram supor que a palavra “político” tem alguma coisa a ver com a palavra “degredado”. Desconfiei ou supus, já não sei.
Bom, quem sabe seja culpa de Portugal ao não por como sinônimas palavras que contêm convergência ambular? Elas parecem perambular juntas e unidas no Brasil.
O país vive a pandemia do COVID-19 que tem utilidade para tudo. Serve para adulterar certidão de óbitos (vários casos estão na mídia), serve de palanque entre oposição e governo, serve para CPI que se limita seletivamente a esconder o sol com a peneira, enfim, serve para tudo.
Sem desejar subestimar tragédias, ponho como uma das maiores tragédias do Brasil a crise moral. Sim, a moral porque a delinquência é uma deformidade dela e eu não posso tratar, senão como delinquentes, uma gente que tripudia com a boa fé e a esperança de todo um povo.
Diante de tanta cobrança de auxílio social causada pela política do “fica em casa, economia se vê depois”, diante da reclamação de gastos com cartão de crédito, viagens, vacinas etc. a mídia notícia um aumento do fundo partidário de bilhões de reais.
Há tempos se discute no país a necessidade de aperfeiçoamento do sistema de votação. Mas sempre aparece alguém dizendo que isso custaria uma fortuna.
Não há jeito. O Brasil simplesmente não tem jeito. Não há ditadura (e a única ditadura boa é a defendida pela esquerda brasileira que fecha os olhos aos extermínios venezuelano e cubano com a lenda do embargo imperialista) que possa dar jeito nesta terra.
O pior de tudo. Nem Portugal iria querer de volta.
Agora manda-se o projeto para o presidente da república apreciar. Se sancionar, será execrado por sua base e mais ainda pela oposição, agora turbinada, fará discurso de que o “genocida” é perdulário. Se veta, perde base de sustentação.
Mas sempre há uma ideia, afinal, nós estamos nesta terra é para ter ideias. Que tal licenciar o presidente da república e já que o vice-presidente se encontra fora do país, deixar em mãos do presidente da Câmara dos Deputados a tarefa? Já imaginou? O curriculum com o registro de que exerceu a presidência da república?
É, a classe política brasileira é a banda (banda e bando não são sinônimos) mais abjeta que se pode identificar em toda a humanidade. No que foi generoso Deus nas riquezas naturais deste Brasil cobra a conta com os políticos que temos. Ultrajante, repugnante, revoltante.
Essa gente da classe política, de governo e de oposição, força-me a escrever às editoras, aos organismos dos países de língua portuguesa para que, em um novo acordo ortográfico, degredado e político brasileiro passem a sersinônimos, já que a idiotização do idioma como instrumento de dominação defende “a língua que se fala”.
Há tempos nós somos condenados como degredados sustentando uma classe inútil, cara, corrupta em significativa expressão, que só avança pela impunidade.
Não há esperança. Há solução. Mas há muitos covardes.