Ano 09 – vol. 08 – n. 61/2021
Há um sentimento de atenção no Brasil, sobretudo para aqueles que têm juízo. Não pré-juízo, nem pré-conceito. Falo de juízo, um artigo escasso ultimamente.
Quando Aristóteles concebeu a ideia de separação de atribuições jamais poderia elocubrar que a humanidade fosse palco de um pedaço de terra que seria apelidado de Brasil.
É esquisito falar em apelido? Bom, bem mais esquisito, e que deveria espantar, é a insistência em sequer se querer respeitar o apelidado continente na sua dimensão mais fértil: o povo.
Esquisito, também, é que centenas de anos depois, o homem ainda insista em ignorar o Barao de Montesquieu, como se decisões políticas institucionais pudessem ser descartadas como num jogo de baralho.
Pobre povo!
Sua vontade é refém de uma minoria que vive em desacordo com as elementares impressões e expectativas populares, porque a redoma que a cerca impede auscultar as mais claras manifestações. Imagine-se as mais tímidas!
A conquista das liberdades públicas e das respectivas garantias não é fruto de saraus academicistas em que a hegemonia combinada elege o aplauso e a reverência a homens, quando deveria ser a instituições. E é simples compreender.
A história da humanidade é feita de lutas, às vezes, à custa sangue, às vezes à custa de vidas, sempre que a intolerância, na cadência do timbre suave da voz, ou na impedância desafiadora dos gritos, ignora a realidade.
As instituições nascem exatamente para substituir impressões pessoais e subjetivas de um homem só, para convergir em uma expressão tradutora dos acordos morais imperativos.
No Brasil vive-se um quadro da história em que homens, ainda relutantes com o pretérito imperfeito da história, lançam-se na aventura infante de segurar a lanterna na caverna, como se iluminassem a saída, desafiando a tudo e a todos. Mal sabem que são a sombra em caricatura nas paredes
Os homens passarão e as instituições seguirão incólumes, ainda que as ameaças se traduzam em opressões verbais contidas em uma linguagem estéril.