AS REGRAS DO JOGO E OS TALIBÃS TUPINIQUINS

Ano 09 – vol. 08 – n. 62/2021

As redes sociais estão repletas de publicações que evocam observância às regras constitucionais quando o assunto é o Poder Executivo – leia-se: Jair Bolsonaro.

Num país em que urnas eletrônicas são invadidas durante um longo período, mas a defesa de inviolabilidade é midiática e pujante. Onde ladrões, terroristas e sonegadores, receberam proteção institucional. Onde foram sepultadas alguns (eu disse, alguns) interesses que misturavam o público e o privado, nada, simplesmente nada, inclusive a decisão da vontade popular, deve ser respeitado. É o que pensam alguns cartolas.

Se hoje fosse descoberta a cura do câncer no Brasil certamente seria alvo de chacotas e notas dos “especialistas” da redação depreciando o feito. Tudo por conta do atual presidente, que pela mídia parece estar derrotado nas próximas eleições, mas, ainda assim, estranhamente, soa como ameaça.

O Brasil (felizmente) não é só Bolsonaro. Mas (mais efusivamente ainda) não é o Lula que jamais deixará de ser ladrão para o inconsciente popular e, cá para nós, para o travesseiro.

Esse tipo de gente exige que o “jogo democrático” seja jogado nas quatro linhas, o que equivale a dizer: dentro do campo, no caso, a casa deles que nem sempre é a Constituição.

Mas quem andou fazendo gol em impedimento? Quem se apoderou da bola? Quem é dono do apito? Quem tem as equipagens? Quem possui as bandeirinhas? Quem ostenta as medalhas?

Jogar qualquer jogo exige que a observância às regras seja comum (a todos, para ser enfático). Aqueles que acharam absurda a prisão de um senador da república sob a alegação de violação do devido processo legal são os mesmos que celebram efusivamente a prisão de um ex-deputado que, a despeito do seu destempero que atinge a honra de autoridades, foi ilegalmente preso em um inquérito nulo de pleno direito.

Ainda assim aparecem os comentaristas opinando sobre as jogadas, impedimentos etc., com a desfaçatez de quem joga sua biografia no vestiário, apenas para aparecer nas entrevistas coletivas, com a arrogância própria dos autoritários que não conseguem enxergar o próprio umbigo.

Pois então, exigir-se de um jogador que obedeça as regras sem se submeter a elas é meio que definir o resultado do jogo, com placar sabido ou não.

Claro que há solução para deter o oponente. Pode ser com carrinho não faltoso, embora haja o cartão vermelho para expulsar quem viole as regras. Mas só há uma saída: o VAR.

O VAR é o menor risco que se corre porque põe sob análise a jogada. Congela o momento quadro a quadro da imagem. Observam-se todos o ângulos, examinam-se as regras e a partida prossegue com jogada normal ou não.

O que não dá nos dias de hoje é querer impor regras em desrespeito ao campeonato que começou há tempos.

Não é a cor do uniforme e nem a vontade de alguns que terá o condão de rasgar o manual. O VAR está nele: a Constituição. Mas sempre é preciso se prevenir.

O vale tudo que pretendem alguns, que sempre levaram clandestinamente fogos aos estádios, não deve caber nos espetáculos de hoje, porque essas torcidas organizadas não passam de “talibãs tupiniquins”, afoitos e destemperados.

Uma coisa, porém, não pode ser descartada: o cartão amarelo impõe atenção aos jogadores, enquanto o vermelho só servem a quem joga fora das regras. Vejam que até no futebol o vermelho não cai bem como cartão.

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