Ano 09 – vol. 11 – n. 75/2021
É um José que parte. Não apenas mais um, mas um José, no caso, Carlos Martins.
Conheci-o quando eu ainda era estudante, embora só tenhamos convivido tempos depois, quando nos submetemos ao concurso de Procurador do Estado, o primeiro concurso da carreira.
Tivemos nossos embates, mas a cordialidade e o respeito sempre foram mútuos, seja pela urbanidade que deve reger as relações humanas em qualquer circunstância, seja porque discordar é oxigenar ideias, desde que o coração não seja miúdo de sentimento.
Do do convívio que tivemos lembro de sua passagem pela presidência da ASPEM quando, com gestos singelos, mas afetivamente significativos, nos brindou com algumas gentilezas que sempre destacavam a associação ou a carreira de procurador do estado.
Há pouco tempo nos encontramos. Já fazia alguns anos que não participava dos jantares que reuniam os procuradores aposentados, aos quais, à época, acostumei-me a participar. Tenho boas lembranças e, agora como procurador aposentado, penso que poderíamos retomar os encontros.
Guardo na memória um dos telefonemas dele em que, eu como procurador geral, parabenizava por ter conseguido solucionar os impasses da carreira – e sempre registro meus agradecimentos ao governador Jackson Lago e ao seu secretário de planejamento Aziz Santos. Sorrimos e voltamos a nos encontrar várias outras vezes. Mas o último encontro já não vi o mesmo brilho nos olhos, mas nem por isso deixamos de sorrir.
Hoje, quando a colega Carmen Miranda noticiou o seu falecimento pelo WhatsApp do grupo dos procuradores, permaneci sentado um bom tempo na cama, como se tivesse, finalmente, compreendido aquele olhar do ultimo encontro. A ele, hoje, dediquei minha comunhão na missa, com a esperança de que Deus seja generoso com o colega “Zeca”, como muitas vezes nos chamávamos.
A vida, tão decantada em verso e prosa, nos impõe a reflexão de que é passageira. Que reflitam os jovens de hoje. “When You Think that tomorrow Will never come, it’s yesterday”.
Fica o meu registro da perda para todos nós seus colegas. Mas, também, ficam boas lembranças, memórias que nos restam. Delas, cada um sabe a que tem. A minha aqui divido porque acho que José Carlos Martins, como ex-presidente da ASPEM, merece o devido apreço, como todos os outros que pelo cargo passaram, porque há uma parcela de contribuição.
Siga em paz, Zeca. Seja o céu seu plano. Cá ficamos, com lembranças, mas felizes por termos te conhecido. Abraça Deus.