Ano 09 -vol. 11 – n. 73/2021
Hoje é uma data especial. Data da proclamação da República. Eu gostaria de celebrar com a mesma emoção e entusiasmo com que aprendi desde cedo. Não posso, lamento, mas não posso.
Assisto a incontáveis violações constitucionais. Crimes são criados sem lei. Penas são atribuídas antecipadamente. Fatos naturais e biológicos são subvertidos. Manifestações são proibidas seletivamente. A rede social passou a ser alvo das mais diversas censuras. Processos, procedimentos, enfim, tudo o quanto foi conquista da humanidade ao longo dos tempos foi esquecido ou simplesmente relegado a segundo plano.
As instituições que deveriam se posicionar e defender a restauração dos direitos e garantias mínimos estão silentes.
Eu gostaria de saudar a República pelo seu dia e relembrar mais uma vez que “res publica” se traduz pela responsabilização dos agentes, a eletividade dos representantes, temporariedade de mandatos e alternância do poder. Eu gostaria de lembrar que todos estes elementos sem observância às “regras da democracia = o jogo” nada significam.
A república é um estádio da civilização que tem merecido de alguns a ideia de “salto civilizatório”. O que vejo outra coisa não é senão o retorno do bumerangue. Voltamos à barbarie. Pobre republica!