LIBERDADE DE EXPRESSÃO E VULNERABILIDADE

Ano 10 – vol. 03 – n. 15/2022

O Brasil de hoje segue a caravana mundial do pseudo progressismo. Tudo que não se alinhe ao que pretende a esquerda esquizofrênica é retrógrado. Um pouco pela patologia, um pouco por aversão à leitura e conseguinte falta de discernimento, essas bestas feras acham que tudo podem em nome da liberdade de expressão.

Não há dúvidas que o direito de criação, expressão e produção cultural deve ser tratado sem as amarras da censura. Mas estranhamente o pessoal que fala em censura é o mesmo que deseja a mão do estado para financiar suas criações. Ou seja, é mais ou menos querer um estado como o nazista em que o poder central intervinha com favores sempre que a ideologia oficial era incensada. Incentivo sim, para quem inicia. Gastança para sustentar estrelas, não. O dinheiro é público.

Mas sem qualquer tipo de bom senso uma sociedade atingirá qual grau de civilidade? Bom, aí os especialistas dirão que depende do que se conhece por civilidade, pois tudo é relativo.

Não posso discordar desse relativismo de botequim. A única coisa que não possui grau de relatividade é a estultice dessa gente. Aí impera o superlativo absoluto (só para não esquecer um excesso do Código de Napoleão).

Liberdade de expressão e inviolabilidade humana são direitos concorrentes que se baseiam na ideia de integralidade humana. Isto significa dizer que o homem é acompanhado de circunstâncias, sem que, no mundo real, seja separado como se fosse ele um Robson Crusoé. Ele é responsável pelo exercício de sua liberdade.

No plano jurídico costuma-se atribuir a situações de concorrências entre princípios o uso do sopesamento e a ponderação como meios de possibilitar a resolução do impasse. Não existe hierarquia entre princípios, dizem os juristas, mas concorrência. Portanto, para cada caso concreto opta-se por qual direito deva prevalecer.

Mas a liberdade de criação e expressão no Brasil sempre que encontra uma circunstância de resistência logo flui o discurso de censura, emoldurada por palavras de ordem.

O caso hoje em discussão não trata de direito absoluto. Nem a vida é direito absoluto, considerando que existe a pena de morte. Então, a situação é de como solucionar um impasse que envolva liberdade de expressão e vulneráveis. No caso específico, vulneráveis que, perante a lei civil, inclusive, são considerados como desprovidos de capacidade de discernimento.

Lembram que há anos atrás uma certa celebridade participou de um filme em que houve uma cena de sexo com uma criança? Lembram o que ela diz hoje sobre o ocorrido? Lembram o que o Poder Judiciário disse sobre o assunto? Lembram da “lei da palmada”? Pois é.

Por mais que se defenda a liberdade a sociedade contemporânea não deu aos artistas (a alguns o substantivo vira adjetivo pejorativo) o direito absoluto de fazer tudo o que a imaginação elucubra. Ainda quando seja arte ela precisa de bom senso, sob pena de virar um desastre.

Não cabe, aqui, uma imersão sobre o poder do controle remoto – assiste quem quer. Mas cabe o alerta de que censurar é proibir, mas ponderar é selecionar e classificar esse tipo de produção cultural.

Censura? Não, não se trata dela, mas a dignidade da pessoa humana não se traduz apenas em ter a liberdade de fazer o que instintivamente se deseja. É preciso que haja o bom senso para saber que entre o remédio e o veneno a diferença é a dosagem.

Quando o assunto envolve vulneráveis estes devem ter a preferência, a mesma que essa gente acéfala atribui ao pobre, ao negro, ao sem teto etc. Vulnerável não possui seletividade, é sujeito de circunstâncias hipossuficientes, não importa qual seja ela.

APENAS UM DIA?

Ano 10 – vol. 03 – n. 14/2022

Por que só no dia 8? Jamais!

Não te reservo um dia, mulher. Um dia apenas.

Tu me geraste

Tu me amaste

Tu me criaste

Tu me defendeste

Tu me criticaste

Tu me incentivaste

Tu me amaste

Tu me deixaste.

Eu não te reservo apenas um dia

MULHER

Porque (hoje)

Mesmo sem fraldas

Eu escuto o teu canto de ninar.

Te amarei para sempre,

Minha Mãe MULHER.

Parabéns todos os dias.

DIÁLOGO ENTRE CEGO E SURDO

Ano 10 – vol. 03 – n. 13/2022

Em tempos esquisitos as coisas sempre podem piorar. Como? Bom, dê um microfone ao presidente Biden e ele se solidarizará com o povo iraniano pensando que falasse para o povo ucraniano. Gafe? Ato falho? Bom, não se sabe ao certo, embora certo seja qualquer estultice que venha dele e da sua vice, uma espécie de Dilma – não se sabe se piorada vou desmelhorada – só para fazer coro com essa linguagem exótica.

Mas a humanidade é capaz de cada coisa que, nestes dias, torna qualquer laboratório científico um local de escassos exemplares. Por exemplo, quem poderia imaginar que a direita pudesse defender a Rússia, a esquerda defender a OTAN e o Talibã pedisse a paz? Quem não vê aponta para quem não ouve.

No Brasil a riqueza é maior. O jornalismo de hoje, uma espécie de zoológico rico em exemplares exóticos, está a um passo de pedir registro perante o TSE, tamanha a profundidade das perguntas que são formuladas, com a consistência de um papel machê. Duvidam? Que tal “o dinheiro dos empresários que apoiam o governo Putin está escondido na Suíça”- pelo visto foi achado! Ou, ainda, “O que a o governo da Ucrânia acha da omissão do presidente Bolsonaro?” após o agente diplomático ter informado que o Brasil havia sido signatário da resolução da ONU condenando o ataque à Ucrânia. Ou, pasmem, de enquete em rede social indagando: “De que lado você está? Rússia ou Ucrânia?”, como se a paz não pudesse ser uma opção. Não, não foi enquete feita por um estagiário de redação, mas por um cabeça branca – sem qualquer alusão à música que inunda as rádios – do jornalismo, um serviçal a quem não atribuo o privilégio de comparar ao mais torpe dos homens.

Já nem falo da cura milagrosa da doença que nos legou especialistas informados, os mesmos que se bandearam a festejar o momo sem preocupação com o distanciamento reclamado. No reino da hipocrisia quem tem um olho não é rei, mas recebe a coroa do cancelamento midiático.

A guerra de sonegação de informações, subversão de fatos e versões, manipulação, enfim, de mentiras, mata aos poucos. A imagem lançada no ar, depois desmentida, não recebe da mídia um esclarecimento. Apenas varre-se para debaixo do tapete.

O mote hoje é a guerra, comparável a um Fla x Flu, como se o drama pudesse ser aferido com a profundidade do narrador esportivo que não consegue diferenciar adversário de inimigo. Bestificaram o Brasil quando fizeram elegia à ignorância. Não há nada de romântico nisso. Há, sim, de irresponsável, porque quem poderia difundir o clamor social dramático com fidelidade optou por se encostar em favores oficiais, subvertendo os acontecimentos. Gostem, ou não, é uma realidade. Não adianta dourar a pílula.

A situação do mundo é dramática. Não se enganem – ou seria: não se desinformem? Não há inocentes nesses acontecimentos. Há interesses econômicos e geopolíticos estratégicos. Há história conflituosa desde sempre. Há dependências de gêneros de toda ordem. Há, inclusive, quem deseje o conflito, porque sempre será um oxigênio à indústria bélica. Uma coisa, entretanto, não pode ser aceita pela loucura dos militantes de redação: venha de onde vier não é possível incensar quem faça elegia à banalidade do mal. Vida humana importa, não só na guerra. Do contrário, selecionar quem deve e por que deva morrer, inclusive os que não tenham voz, não passa de um diálogo entre cego e surdo, embora sempre haja vaga para um louco.