RESSIGNIFICADOR 171

Ano 10 – vol. 04 – n. 25/2022

A identidade de um povo se constrói com a história preservada e cultivada. São convergências culturais que se consolidam ao longos dos anos.

Aliás, é bom que se diga, há um calendário oficial nacional de feriados e pontos facultativos, como os estados e municípios, também, possuem. Guarda-los é preservar a própria subsistência, pois são uma espécie de certidão de nascimento que todos devemos ter. Sem ela não há personalidade civil. É o que diz o código.

Pois bem, desde que o marxismo revolucionário foi derrotado e surgiram as ideias de Frankfurt, a relativização de conceitos passou a ser o instrumento de trabalho, a arma para tentar modificar até mesmo a natureza, subvertendo a ordem das coisas.

Não se pode negar que a via seja poderosa. Basta ver a quantidade de (de) formadores de opinião que se identificam com a prática de relativizar pronomes, subverter a ordem biológica, enfraquecer valores, ultrajar princípios e, mais recentemente, inventar comemorações como negativa do que a lei e a ordem possuem.

Fique certo o leitor. O errado é errado. O certo é o certo. Ladrão solto impunemente continua a ser ladrão e não inocente. Quando para isso ele conta com o beneplácito do Estado aí passa a ter comparsa. Já tive oportunidade de afirmar que não existe juridicamente a figura da “descondenação”.

Pois bem, essa relativização chegou às datas históricas e ameaça os feriados nacionais. Ontem, a sempre desavisada (ou seria demente?) esquerda do Brasil se lançou a anunciar a comemoração do “dia da luta e resistência indígena”, “dia da luta pela terra indígena”, “dia de luta pela sobrevivência indígena”, “dia de luta pela sobrevivência do povo indígena”. Inventaram tudo, tudo mesmo para se opor à comemoração do Dia do Índio.

O estelionato, no caso, é induzir e manter alguém em erro. Claro que no caso a figura serve apenas como metáfora no que se refere à mentira, esta sim, o alimento diário de uma gente que consegue acreditar que sexo se define por escolha.

Eu me pus a refletir sobre essas ressignificações. No caso dos índios, a mesma gente que acha que está defendendo com esse arremedo de argumento não os considera nacionais, portanto, suprimem direitos porque são população indígena. Não são brasileiros?

Bom, já estou aqui a imaginar qual será a presepada de amanhã, 21 de abril. Homenagearão a integridade do dente ou a figura de Tiradentes que, aliás, já chegou a ser crucificado por um imbecil?

Mas logo me vem um outro fato a me impor mais uma reflexão. Dia 22 de abril comemoras-se o descobrimento do Brasil. Pelo calendário nacional oficial – Lei n. 662/1949, alterada pela Lei n. 10.607/2002, não é um feriado nacional. Mas não se espante se aparecer um ressignificador de fatos para dizer que, na verdade, se comemora o dia do achamento das terras indígenas que foram ocupadas pelo homem branco opressor.

Ah! Só para que fique com significação viva e verdadeira, os feriados nacionais são 1º de janeiro, 1º de maio, 7 de setembro, 15 de novembro e 25 de dezembro. Guarde as datas, antes que um ressignificador se aventure.

J

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