Ano 10 – vol. 09 – n. 57/2022
Circula pelas redes sociais um vídeo da sessão do TSE no qual, durante o voto de uma juíza (classe de jurista) se vê dois gestos do ministro presidente que chamaram a atenção.
No primeiro um olhar enigmático claramente dirigido a um ponto fixo, talvez a uma pessoa. Só posso supor. O segundo o que revela o passar de mãos no pescoço como quem sinalizasse uma degola, uma sentença muito usada na época dos gladiadores.
Assim como os jornalista militantes conseguiram confundir um AR15 com um guarda-chuvas, permiti-me imaginar que o presidente da sessão estivesse apenas sinalizando ao assessor que marcasse um horário no barbeiro. Mas eu estava errado.
Assisti muitas vezes e não posso chegar a outra conclusão, embora não me atreva a fazer uma acusação. Não o faço. Mas meus olhos não me enganaram. Há uma mensagem contida no gesto.
Claro que o Direito é uma ciência que se vale de símbolos e gestos como expressão de fatos jurídicos (em sentido amplo) ou sinalização de declarações de vontade (como ato jurídico). Por exemplo, a balança e a espada, simbolizando as deusas Iustitia ou Dikê, São a tradução simbólica de que os homens nelas buscam inspiração para solucionar conflitos de forma justa. Claro, sempre aí haverá o embate acadêmico, aquele que envolve o positivo e o natural.
Já dentre os gestos com significados para o Direito, apenas para exemplificar uma modalidade, está o levantar uma das mãos num leilão para sinalizar a manifestação de vontade.
Lembrei que um gesto sinalizando uma arma deu ao atual presidente da república a pecha de armamentista e contra livros. Pois é exatamente nos livros onde se encontra o gesto de degola como sentença terminal, inapelável, sempre que o polegar era invertido nos espetáculos romanos.
Os “propulsores do novo Iluminismo macabro” estão seguros do que fazem, sem qualquer prudência no que dizem ou no que determinam. É como se o Brasil tivesse apenas um poder, o judiciário. Isto é perigoso, mas tão perigoso que até mesmo um jornal claramente de esquerda – The New York Times – ocupou-se do assunto para destacar que no Brasil o “Pretório Excelso” ultrapassou todos os limites.
Vejo com preocupação o estudo (será que merece esse termo?) revelado pela mídia de que agora o mesmo TSE está pensando em proibir o uso da camisa da seleção brasileira de futebol no dia da votação. Não custa lembrar que na Coréia do Norte existem modelos de corte de cabelo e de roupas que podem ser usadas. No Brasil não há nenhum amparo legal ou constitucional para uma medida dessa natureza. A menos que a degola simbólica se transforme em um tipo penal.
Quem sabe seja a hora de os verdadeiros democratas, pessoalmente ou pelas instituições, reajam pacífica, mas energicamente, contra a ditadura judicial do Brasil, antes que seja tarde. O símbolo maior do Direito no Brasil é a Constituição da República. Ela não é norma de etiqueta, ela não é repositório de conveniências, ela é norma compromissória (compromissaria, para alguns) mas a todos dirigida.