Ano 10 – vol. 09 – n. 54/2022
O 7 de setembro de 1822 é o Dia da Independência do Brasil. Foi assim que me ensinaram. Hoje, nesses tempos tumultuados do Brasil há quem tente ressignificar as coisas dizendo que o círculo é quadrado. No quadro O grito do Ipiranga de Pedro Américo, há espaço para pessoas e cavalos, então a data é inclusiva.
D. Pedro, o Príncipe Regente, que depois se tornaria D. Pedro I, proclamou a Independência do Brasil de Portugal por muitas razões, inclusive os acontecimentos do Porto (a Revolução Liberal de 1820). Hoje comemoramos 200 anos, e ainda há quem disso duvide.
No Brasil nós temos essas ideias meio que tresloucadas. Já foi dito que o Brasil não foi descoberto, mas teria sido achado. Recentemente li que a Independência não teria passado de um acontecimento inventado pela aristocracia branca opressora e racista. Eu não disse que há quem pretenda dizer que o círculo é quadrado? Pois é…
Durante minha infância e adolescência cultivamos com muito entusiasmo a Semana da Pátria. Além da celebração cívica era época de admiração das belas colegas de escola que integravam pelotões especiais. A banda, o desfile, as discussões para saber qual teria sido a escola mais bonita. tudo era uma festa.
Hoje resolvi rememorar tudo isso na rua. Sim, fui às ruas trajando verde e amarelo, estreando a nova camisa da seleção brasileira de futebol exatamente por ostentar as cores do Brasil. Não me senti apropriado. Não me senti babaca. Não me senti partidário de ninguém, mas fiquei surpreso. Vi gente comum, caminhando, vendendo água, comidas, nas paradas de ônibus, enfim, na cidade. Mesmo fora de carreatas vi gente ostentando o verde, o amarelo e o azul.
Não vi (sinceramente) gente usando vermelho, prática que se apossou do país em décadas passadas com a exortação a hinos e músicas que serviram ao imaginário de jovens incautos, mas desmentidos em essência pela história.
Vi, também, carreatas enormes. Famílias com crianças em seus carros e motos. Todos paramentados. Uma fartura notável de bandeiras do Brasil. Senti uma espécie de orgulho e saudade. Vi que símbolos, valores e princípios conseguem sobreviver como identidade de um povo, comprovando que ninguém se apropria deles.
Os 200 anos da Independência do Brasil merecem enfática comemoração, porque em nossa história, nem mesmo nos anos mais duros de ditadores civis ou castrenses tivemos o experimento da juristocracia como a que vivemos. Uma subversão completa que nos torna todos inseguros, mas jamais como povo nos sustentaremos sobre os joelhos. Temos nojo de ditaduras, venha de onde vierem, porque saberemos sempre cantar: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”!