Ano 11 – vol. 09 – n. 57/2023 – https://doi.org/10.5281/zenodo.8360156
O dia não era um qualquer para um jovem às vésperas de completar seus vinte anos. Era apenas o início de um caminhar.
Havia eu retornado do Texas, onde fui bolsista do Rotary Club, em San Marcos. Foi um tempo de muito aprendizado.
Aos princípios familiares, somados a outros recebidos no Colegio Batista “Daniel de la Touche”, no distante e misterioso oeste americano, descobri a grandeza de um povo trabalhador, com raizes conservadoras históricas e uma pujança financeira destacada em todos os Estados Unidos.
Penso que tudo isto contribuiu para o encontro que hoje rememoro com saudade e gratidão.
Há 47 anos, no dia 16 de setembro de 1976, diante do professor Pompilio Albuquerque, eu tomava posse, como assistente administrativo substituto, na Universidade do Maranhão.
Já casado desde maio daquele ano, mas ainda morando com meus pais, abria-se ali mais uma porta para um projeto de vida que sempre foi ser professor universitário. Nove anos depois o sonho se realizaria.
Este ano, dia 4 de novembro, se a saúde permitir, serão 38 anos de magistério. Hoje, às vésperas de completar meus 67 anos de vida, sou o Decano do Departamento de Direito da UFMA.
Jamais esquecerei o chamado do professor José Ricardo Aroso Mendes ao me transferir a disciplina Direito Constitucional, distinção que a Academia reserva a alguns: o Mestre apresentar à comunidade acadêmica o aprendiz e sucessor.
Como em todo caminho que se caminha com determinação as pedras apareceram, mas as oportunidades também. A fé em Deus sempre me revelou a certeza de que Eclesiastes é uma lição irrefutável no quotidiano. Ainda quando em amargura se sinta o homem mais tarde ele sentirá a brisa soprando o peito para irradiar a paz. Só aí compreenderá que Deus apenas o desafiou para saber se manteria a fé.
Mas foi tempo também de muito aprendizado. Colegas com quem muito aprendi (na SEPE e na COPEVE) mas em cuja companhia também eu me diverti, renovavam em mim, sempre, a promessa que me fiz de quem um dia seria professor da UFMA.
Graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado, foram todos produtos de um esforço grande, mas gratificante, tudo sendo somado ao primeiro concurso para procurador do estado, onde permaneci por 35 anos de trabalho.
Hoje, ao despertar, após minhas orações, finalmente compreendi o que meu pai tentava nos dizer ao afirmar que a Caixa Economica havia dado tudo o que ele conquistara na vida.
Há um sentimento parecido em mim. Posso também dizer que a UFMA me deu quase tudo. De sabores a dissabores. Aqueles trago no peito sempre. Estes, com eles fiz um pacote com papel de embrulho, sem jogar fora, porque o homem não deve guardar rancor no peito, mas ele deve preservar as memórias, sempre. E há quem da vida leve só amarguras. Felizmente eu trago comigo vitórias.
Caminhei até aqui mas a caminhada aqui não termina. Como um dia disse Madiba – Mandela: É um longo caminho para a liberdade.
Posto que livre seja, porque alcancei o que pretendi um dia, lembro de Gilberto Freire, a despeito de contemplar outra paisagem, porque o conhecimento, quando pretendido se saber de verdade, impõe reconhecer quem o transmitiu: O homem chega a ser um mestre quando descobre que é um eterno aprendiz.
Eu apenas dei o primeiro passo rumo ao aprendizado. Preciso caminhar mais ainda. Obrigado, meu Deus, por tanto e por tudo.