Ano 12 – Vol. 09 – N. 47/2024
As redes sociais, visivelmente por impulsos, vêm reiteradamente informando que o desfile de 7 de setembro em Brasília contará com organizações que agem criminosamente no Brasil. São elas o MST e o MTST. Foi o que noticiaram O Estadão e a Gazeta, notícia, aliás, multiplicada pela internet, inclusive, pelas redes de comunicação de televisão e rádio.
Algumas mídias, por exagero ou não, chegaram a informar que as Forças Armadas prestariam continência a essas organizações. Duvidei, porque nos dias de hoje informação e fakenews já não é produto de apaixonados, tresloucados e até insanos politicamente: ela tem sido produzida pela própria imprensa tradicional.
Em busca de mais informações descobri que essas organizações foram convidadas para participar do desfile, em detrimento das escolas cívico-militares que sempre estiveram presentes e que, pelo visto, passaram a se constituir em uma “ameaça” a essa “democracia maleável”, posto ter deixado de ser relativa.
A “justificativa” encontrada e atribuída ao órgão de comunicação do governo seria de “ampliar a participação social”. Então devemos concluir que para o atual governo as escolas cívico-militares não integram essa fatia social? Ou seria uma espécie de querela pessoal com o ex-presidente da república?
Claro como o sol escaldante é que o crime organizado se instalou definitivamente no poder, seja com os narcotraficantes, quando são liberados pelos tribunais e tem seus bens havidos como produto do tráfico devolvidos, transmitindo a sensação de impunidade e o exemplo (equivocado) de que o crime compensa, seja pelos invasores de propriedade privada ou pública, ungidos, indevida e inapropiadamente, a um status de licitude, quando o Legislativo os considera terroristas.
O requinte da notícia veiculada é que as Forças Armadas prestarão homenagem a esses tipos de organizações criminosas, quando no Congresso Nacional tramita a proposição (já aprovada) de, formalmente, considerá-las organizações terroristas.
Terrorismo não é um conceito que se vincule apenas a explosões, sequestros e assassinatos. Qualquer ato que importe em força e desordem, portanto, que ameace ou viole a propriedade privada (direito fundamental) deve ser considerado crime contra a Constituição e, consequentemente, contra o Estado.
Portanto, já não há mais dúvidas, e nem cerimônia de afirmar, que o crime organizado está sendo acolhido pela celebração de uma data institucionalmente cívica e simbólica do calendário nacional, o que não deveria ser tolerado, sobretudo pelas atribuições constitucionais previstas para as Forças Armadas.
Não há como aceitar que a Instituição cuja atribuição é defender a Constituição e o funcionamento regular dos Poderes possa se curvar a isto. Ao fazê-lo se transformará em uma armada no estilo venezuelano, portanto, num organismo à margem da lei.
Esse atual governo ungido ao poder é transitório, mas as Forças Armadas são permanentes e poderão responder por atos que vilipendiem suas atribuições constitucionais, expondo-se a, amanhã, diante de qualquer ato de insurgência ou insubordinação, carecer de autoridade para impor a disciplina. Quem não consegue defender suas prerrogativas constitucionais não merece deter as atribuições que possui.
Generais, acordai para isto. Coronéis, ponderai com seus superiores o que talvez não tenham vislumbrado. Despertai para a pátria sem que seja necessário dar um tiro, mas que haja coragem para resistir a devaneios de criminosos que nunca esconderam suas índoles.
Lembrai-vos de Nuremberg e do que lá ficou registrado pela história.
PS: Após ter escrito este texto li que o governo, a contragosto, teria sido desestimulado a continuar com essa aventura, pois teria causado um desconforto na área militar. Melhor assim. Mas não é tudo. É preciso que se instaure uma investigação para responsabilizar quem imaginou desprestigiar uma data nacional cívica, com o propósito de expor uma ideologia carcomida e que é o oposto dos princípios constitucionais vigentes.