SER, ESTAR E AGRADECER

Ano 12 – Vol. 09 – N. 50/2024

O tempo, contínuo no espaço dessa breve vida, me faz lembrar um exercício filosófico sobre sua dimensão. Constitui-se em afirmar que o homem não consegue conjugar o verbo SER no presente do indicativo, na primeira pessoa do singular. Isto porque quando ele terminar a oração EU SOU, já será pretérito.

Pois bem, é do pretérito em suas dimensões contínuas e vacilantes entre ele e o presente que falo neste dia 16 de setembro de 2024. Há exatos 48 anos eu ingressava na UFMA como Assistente Administrativo substituto, tomando posse no gabinete do professor Pompílio Albuquerque, então Superintendente Administrativo.

Aprendi com meus pais que a gratidão é das mais importantes virtudes humanas. Não sou virtuoso, mas também não sou ingrato e, por isso mesmo, recompor memórias e agradecer deve, sempre, permear os caminhos do homem.

Quando no início deste ano defendi meu memorial de Professor Titular da UFMA, onde leciono Direito Constitucional, fiz questão de registrar agradecimentos a pessoas como Glacymar Marques, Almir Moraes Correa, Pompílio Albuquerque José Ricardo Aroso Mendes e tantos outros homens e mulheres, por cada ensinamento recebido. Foram oportunidades colhidas, reunidas, aperfeiçoadas em alguns casos, cultivadas em outros. A cada pessoa que cruzou o meu caminho eu agradeço.

Mas desejo, hoje, também, registrar a cada servidor desta Universidade que de modo idêntico contribuiu para minha formação. São muitos e são tantos, alguns aqui, outros já não mais, que me ensinaram mais do que eu a eles, e por isso tenho o dever de oferecer a cada um a minha gratidão sempre. Entre risos, sorrisos, angústias, carências e abundâncias, conheci boas pessoas, como conheci canalhas, covardes também, mas não lhes neguei bom dia; apenas separei o joio do trigo. Essa gente sempre existirá, mas, felizmente, as boas criaturas são em número maior.

Sem pieguices e vitimismos, foi na UFMA a maior parte de minha formação profissional. Trabalhando durante o dia estudava à noite e, jovem, já com família constituída, costumava afirmar aos meus colegas de trabalho: Meu projeto aqui é ser professor, o que foi alcançado em 1985. Os que compreenderam, seguiram o caminho. Os que preferiram parar no tempo, ainda assim, guardam significado para mim.

São, portanto, completados hoje quarenta e oito anos de serviços prestados à UFMA. Tenho um imenso orgulho de integrar esta família, hoje como Decano do Curso de Direito e professor de Direito Constitucional. Já se vão por aí autoridades importantes no cenário nacional. De todas vejo o brilho com a satisfação de terem sido meus alunos. Nem de todos vejo o reflexo, porque na secura do ar ou na umidade do clima a prata perde o brilho, embora possa ser recuperado pela flanela da reflexão embebida pelo aditivo da humildade.

Meu dia hoje é de agradecer, portanto, com muita expectativa de que possa no futuro comemorar as bodas de ouro.

Recuso-me a SER pretérito não porque me sinta imune à passagem do tempo. Prefiro, hoje, conjugar o verbo ESTAR. Por isso aqui estou, para AGRADECER.

Obrigado, UFMA. Obrigado colegas servidores administrativos. Obrigado colegas docentes.

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