Ano 12 – Vol. 09- N. 49/2024
“Canalha tú é um verdadeiro canalha.
Você vive de trambique
Deita na sopa e se atrapalha…”
Nunca estes versos de Bezerra da Silva foram tão verdadeiros e contemporâneos. Fortes, irreverentes, mas necessários num país como o Brasil de hoje.
Eles se multiplicam com uma velocidade igual à das baratas. Vestem ternos e gravatas, são ágeis em acordos, simulações e negociatas. Tudo que lhes possa garantir conforto, desde que não paguem a conta do próprio bolso. Há os que se calam e aceitam silenciosamente. Estes pensam que não possuem culpa.
Entra ano e sai ano os responsáveis por eles quedam às suas promessas, cedem às notas de cinquenta reais ou qualquer pagamento de conta de luz, filtros, telhas, sandálias, camisas ou próteses dentárias. E suas vidas continuam as mesmas, como molambos e reféns.
As biscateias são mais claras, objetivas e honestas. Cobram o preço do serviço e não se lançam a barganhas. São putas assumidas, possuem pudor no seu universo, ao contrário desses filhos delas. Estes nem se prestam a prestar, porque suas vidas não dimensionam outra coisa que não o desejo de levar vantagem em tudo e contra todos.
Eles continuam a insultar o Brasil. São vendilhões e bastardos, o câncer que permeia o que um dia foi uma nação. São caros e continuam canalhas. Como gatunos preferem as madrugadas, para seguir o propósito de quem lhes comprou o que um dia se chamou dignidade.
Este país não tem a mínima possibilidade de dar certo, porque cada passo em direção diferente do que aí está logo encontra o trabalho das traças a destruir papeis, moldando impunidades, preservando privilégios, subjugando ignorantes e espertos.
É cansativo assistir o que o quotidiano renova. É ultrajante constatar que a indiferença para os indefesos é apenas o requinte de quem prefere a “Lei do Gérson”, do que o cumprimento das que a todos deveriam ser obrigatórias, independentemente dos rostos.
Este é o Brasil. Fadado a não dar mais certo diante da omissão e cumplicidade de muitos que não reagem ao cenário da tragédia.
Cabem mais versos, como os de Walter Franco, entoados pela bela voz de Oswaldo Montenegro:
“Não tarda, nem falha
Apenas te espera
Num campo de batalha
É um grito que se espalha
É uma dor canalha”
Que sirva a carapuça em quem desejar vesti-la. Mas não tentem invocar o discurso do vitimismo que culpa o outro por sua desonestidade, sua conivência e cumplicidade. Por mais que vocês se lustrem, não são lustrados. Por mais que falem já não são ouvidos. Vocês sabem bem o que são. Vocês são F. D. P.