ANTISSEMITISMO MIDIÁTICO

Ano 13 – vol. 06 – n. 45/2025

https://doi.org/10.5281/zenodo.15716036

 

As pessoas quando são escravas de ideologias transmitem a sensação de que carecem de bom senso. Sim, não estão preocupadas, ao que parece, com a verdade, apenas com a versão. 

A humanidade detém exemplos que nos permitem, hoje, discutir, com ênfase, até propositiva em alguns casos, o valor da dignidade da pessoa humana. 

Eu costumo afirmar que não basta o interlocutor querer falar em dignidade da pessoa humana e, ao se indagar a ele do que se trata, o entendido dizer que se trata de um conceito aberto. Isto, para mim, não passa de falácia.

Dignidade da pessoa humana deve ser o acesso ao que foi prometido como compromisso constitucional. Não como promessa, mas como compromisso. 

Pois sendo assim, toda pessoa humana deve ter dignidade objetiva, aquela que se encontra declarada não apenas nas normas jurídicas, mas também nas normas sociais, estas compreendidas em dimensão ampla: ética, filosófica, política etc. 

Mas de nada adianta declarar objetivamente o direito das pessoas e não haver esforço para que as regras do jogo sejam obedecidas. Tudo não passaria de ineficácia jurídica ou falta de efetividade social. 

Mas de que adiante disso saber e tripudiar sobre pessoas cuja história são a tradução da perseguição? Pois é. Não foi só o século passado que produziu a perseguição ao povo judeu. A própria história do povo (se quisermos permanecer apenas nas páginas da Bíblia Sagrada) é uma biblioteca de perseguições na história. 

É esse mesmo povo cuja dimensão intelectual e o progresso científico reconhecido parece incomodar de tal maneira que tem voltado a ser oferecido como a cabeça de João Batista. 

Ontem, com um ar de quem exala ódio com pitadas de patologia ideológica, assistimos todos a uma jornalista, com indisfarçável ênfase e claro propósito, minimizar o número de mortes em Israel pelos mísseis lançados pelo Irã. “Uma mortizinha aqui, outra ali, e alguns feridos, feridos”. E disse mais. Disse que Israel destrói Gaza com seus mísseis de forma desmesurada. 

Para que não haja dúvida míssil não é uma arma utilizada em Gaza. Então, não há por que disso se falar quando não se conseguir distinguir a falta de corrente elétrica por interrupção da concessionária e o deslizamento automático feito por um disjuntor. Em ambos os casos falta a energia, mas o fator determinante é diverso. 

Pois bem, vida é vida. Não há como relativizar em proporções como se isto determinasse a importância. Aliás, esse foi o mesmo argumento utilizado por nazistas quanto à capacidade dos trens que transportavam judeus aos campos de concentração. 

Dito em emissora de televisão, claramente alinhada a interesses que se contrapõem hoje a Israel, a afirmação é uma clara manifestação antissemita que, pelo juízo censório que se instaurou no Brasil de tempos para cá, já teria demandado providências dos órgãos de repressão. 

Não adianta vir hoje nas redes sociais pedir desculpas e dizer que foi mal interpretada. Não. O que houve foi um ato que se configura crime de racismo, antissemitismo, crime por apologia contra um povo. Inaceitável! Indesculpável!

Ou a lei é para todos ou a impunidade estimulará a continuação de antissemitismo midiático como esse que assistimos. 

Viva o povo judeu! Viva Israel que dá exemplos podendo dar conselhos. Somente os estultos não aprenderam com a história. Só os nazistas permanecem no armário.

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