CARANDIRÚ É PARA OS FRACOS!

Ano 01 – vol. 08 – n. 09/2013 – https://doi.org/10.5281/zenodo.10023300

Quem não se lembra do presídio Carandirú, em São Paulo, palco de incontáveis embates entre criminosos e policiais?

Palco de sucessivas extorsões, tráfico de drogas, roubo, sevícias, o presídio era tudo, menos uma casa de recuperação de apenados.

Demolido o conjunto de prédios após a execução de mais de cem reclusos pelo batalhão do choque da PMSP, tudo desembocou em desmembramentos processuais e julgamentos que se arrastam até hoje no combalido Poder Judiciário.

Mas o Carandirú era para os fracos. Ao menos foi o que declarou publicamente ontem,, dia 28 de agosto (o mês do desgosto) ao povo, a Câmara dos Deputados.

Não, não me insurjo contra a o poder da Câmara dos Deputados, afinal, está previsto constitucionalmente. Nem contra o resultado previsível na votação secreta. Mas, sim, contra o exemplo (se e que pode ser assim denominado) passado a gerações que já são deformadas pela alienação cibernética.

Desde logo esclareço que o voto secreto não é um mal, mas seu emprego por pessoas que se sentem descompromissadas com o colégio eleitoral após as eleições, sim. É que o voto aberto, ou a descoberto, pode, também, oprimir a vontade do parlamentar que deseja sair bem na fita. Mas sobre isto em outra oportunidade falarei.

Pois bem, por que o Carandirú é para os fracos? Simples: num país em que os “pês” sempre foram alvos de estereótipos (preto, pobre e puta – CALMA! Patrulheros, não é manifestação racista!) resta claro que condenação é um artigo reservado a classes menos favorecidas, ou, se preferirem, empobrecidas pelo escárnio que é feito com o dinheiro público.

O plenário da Câmara dos Deputados absolveu (salvou, na verdade) o Deputado Natan Donadon do processo de cassação do mandato, por expressiva maioria:  233 votos a favor do parecer do relator, Sérgio Sveiter (PSD-RJ.

Houve 131 votos contra e 41 abstenções. Como seriam necessários 257 votos o deputado foi salvo.

Vale o registro. O deputado cumpre pena 13 anos de condenação pelos crimes de peculato e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal.

Com a decisão ficam muitas indagações:

1 Quem votou a favor  do deputado concorda com o que ele fez?

2 Quem se absteve é fã de Pilatos?

3 Uma condenação criminal transitada em julgado pelo guardião da Constituição da República pode ser desafiada desse modo?

4 Existem classes de criminosos que mereçam tratamento diferenciado?

5 A lei é para todos?

Quaisquer que sejam as indagações nos conduzirão a respostas, sem dúvida, como completa falta de responsabilidade com a democracia, regime reinstalado no país à custa de muita luta, muito sacrifício, muitas vidas.

Tenho uma indignação enorme ao ver pessoas que são representantes do povo, mas que se acham iguais ao condenado, pois em sua defesa votaram. Tenho uma indignação enorme ao ver com que falta de respeito a Constituição da República é tratada. Tenho uma indignação enorme ao pressentir que às gerações futuras nem as pérolas sobrarão, porque os porcos chafurdaram.

O Carandirú é para os fracos. Para os fortes há a Câmara dos Deputados. Não se espantem se em sua faixada aparecer um protesto solitário estampado: “Penitenciária Câmara dos Deputados”.

SAUDAÇÕES DA REALEZA (OU A SAÚDE BRITÂNICA)

Ano 01 – vol. 08 – n. 08/2013

Ontem (27/08/2013) assisti (como milhões de brasileiros) ao programa “Profissão Repórter” da TV Globo.

Confesso que fiquei estarrecido com a amostra (a coisa é bem pior) do que vi.

O programa foi sobre o atendimento (ou a falta dele) na rede pública hospitalar de alguns estados do Brasil. Então, sabia que o desfecho não teria outro coadjuvante, senão o Estado do Maranhão, onde seriam construídos 72 (setenta e dois) hospitais há anos atrás. Que vergonha!

Quero, logo, lembrar: não sou filiado a partido político; defendo a candidatura avulso, mas sou cidadão, pago impostos, logo, falo em nome próprio.

O Maranhão, há anos, vem sendo identificado no Brasil como sinônimo de atraso, ausência de políticas públicas suficientes e eficientes. Mas este é o Maranhão real, não aquele que tem sido apresentado em programas maciçamente veiculados nas televisões locais em ano pré-eleitoral, com o beneplácito dos fiscais da lei, a um custo que não se sabe (ou será que não se quer saber!) astronômico.

O Maranhão de que falava o Padre Vieira, hoje, se divide em dois: o Maranhão virtual e o Maranhão real.

O Maranhão virtual é britânico; o Maranhão real é parecido com o Zimbabue.

No Maranhão virtual as pessoas que podem, de algum modo, influir, silenciam como se estivesse alheios a uma realidade que ocorre a cada semáforo. É assim no meio intelectual, no meio jurídico, no meio político, no meio religioso e por aí vai.

A omissão…terrível doença que tem nos homens os maiores portadores e transmissores!

Não sei até quando perdurará este estado de coisas, mas desejo que na próxima conferência que eu for ministrar fora daqui eu não tenha que dizer que sou de um Maranhão real, em que saber jurídico não credencia jurista, mas o “jus sanguinis” é o passaporte para abrir portas. Em que, para ser Doutor, é preciso recorrer ao Poder Judiciário. Em que falar o que se pensa não significa ser contra pessoas, mas a favor de ideias.

Eu vivo no Maranhão real!

Irriquieto? Intransigente? Prepotente? Já me acostumei às farpas lançadas, até por aquele que um dia bateram às portas implorando socorro, e que hoje se sentem acima da lei e com a ingratidão estampada na face.

Na verdade estou é insatisfeito, triste, sobretudo quando vejo, em rede nacional, uma realidade que não é mostrada na televisão local.

Lastimo, profundamente, que o real neste meu desabafo seja uma realidade inconteste mostrada pelo programa de televisão.

O britânico tem saúde, transporte, mobilidade segurança, educação, disciplina, respeito. Tudo o que o Maranhão virtual diz ter.

Do Maranhão real assisti horrores. O Maranhão virtual festeja clamores.

I beg your pardon?!

UM PROGRAMA A MAIS

Ano 01 – vol. 08 – n. 07/2013

O governo federal anunciou que recebe, a partir de hoje, os médicos cubanos.

Já disse que corrupção e asilo político vão rolar soltos no Brasil.

O governo já estuda importar professores. Eu penso em importar políticos da Dinamarca para contribuir comigo no ensino de Direito Constitucional.

Pelo sim, pelo não, Presidente Dilma, quero lhe garantir que aqui se faz sexo com vigor. Mesmo os que o fazem apenas para ganhar bolsa. Então, por favor, nem pense em importar profissionais do sexo para o Brasil. O que eles (as) fazem os políticos brasileiros fazem bem melhor conosco. Basta assistir ou ouvir o noticiário diário.

Então, a senhora, com seu auxiliares, em nome de Deus (sim, presidente, Ele existe), criem um programa de governo que pode ser chamado “MAIS JUÍZO”,  “MAIS RESPEITO COM O POVO”.

Com minha sugestão vai a constatação abaixo, que também pode ser chamado de poema.

PS: Poema é uma expressão literária que não está nas cartilhas dos PeTralhas que a auxiliam.

Se faltam médicos

Sobram doentes.

Se faltam professores

Faltam analfabetos

Se faltam advogados

Sobram presos

Se faltam hospitais

Sobram filas

Se falta comida

Sobram famintos

Por que, então,

Sobra corrupção?

Sobra falta de vergonha?

Sobra arrogância judicial?

Sobra Impunidade?

Sobra gente acima da lei?

UM CONCEITO

Ano 01 – vol. 08 – n. 08/2013

E se me pedissem um conceito de Direito, talvez respondesse:

Direito não é o que deve ser:

É o que o poder faz.
O poder de desmando,
O poder da mentira,

O poder do preconceito,

O poder da força,
O poder da esperteza,
O poder da omissão,
O poder da submissão,
O poder do bandido,
O poder do ladrão,
O poder do político corrupto,
O poder da autoridade canalha,
O poder do revólver,
O poder da navalha.

Então, certamente, o aflito aluno diria:
– Mas professor não é isto que esperava aprender!
E eu lhe direi, então:
– Se achas, realmente, que não deve ser assim, começa a mudar o mundo por si próprio. Deixe de ser omisso, reclame, lute, porque foi a conivência, o silêncio e a conveniência de calar, para não incomodar, que fizeram este conceito de Direito: o sinônimo de torto.

QUEM NÃO PODE DAR EXEMPLO NÃO DEVE DAR CONSELHOS

Ano 01 – vol. 08 – n. 05/2013

Ontem foi veiculado pelos meios de imprensa a detenção de um brasileiro em Londres, durante 8 horas e 55 minutos, com base em uma lei que cuida de suspeitos de contribuição ao terrorismo.

Ocorresse o fato no Brasil e os vestais da democracia europeia empunhariam bandeiras contra o ato de exceção ou coisa parecida.

Não me ponho a discutir o mérito do assunto, mesmo por que envolve nuances de Direito Internacional de discutível sanidade. Mas o que me faz debruçar sobre o tema é a “síndrome do terror”, gerada com a divulgação de documentos que comprovam a participação dos países democráticos em ações autoritárias, reacionárias e, algumas vezes, criminosas.

A Europa, como o resto do mundo, comemora sempre o holocausto, com a cultura “vitimológica” de quem sofreu nas mãos de Hitler, algoz-mor da humanidade, mas, ao mesmo tempo, vira o rosto para os fatos quotidianos.

Não faz muito tempo e um brasileiro foi executado em Londres, sob a infundada alegação de que ele parecia com um terrorista, em demonstração inconteste de que a raça, elemento fundamental para a Declaração Universal dos Direitos Humanos, é mais um elemento de discriminação velada.

Em Israel vi um muro que é uma vergonha, mas o Tio Sam (Sempre juntos, lembram?!) ameniza as atrocidades com o deboche de que o direito de defender-se é a fonte daquela imoralidade.

Desejo, sinceramente, que muitos mais documentos sejam revelados, pois a opressão midiática e governamental faz do globo um campo de concentração, em que a sedução do “ter” impede que as pessoas se lembrem de “ser”. Nada mais fazem, senão o que Hitler fez: subestimam pessoas, desqualificam raças, ignoram tratados e pactos internacionais, sob a alegação de combate ao terrorismo internacional.

Até quando a comunidade internacional vai suportar (com o sinônimo de dar suporte) a posturas como essas em que a área de trânsito internacional deixa de merecer as garantias que o Direito prevê, e, às quais, a própria Inglaterra é signatária?

Por favor, não me façam supor que o monarquismo constitucional britânico não passa de uma ficção, porque senão passo a pensar que Cromwell tinha razão, afinal, quem não pode dar exemplo, não deve dar conselhos.