SOBRA BANDEIRA, FALTA POVO

Ano 09 – vol. 01 – n. 08/2021

A posse do novo presidente dos Estados Unidos – que eu conheci como maior democracia do ocidente – padece da maior expressão democrática: o povo.

Mas a democracia deve ter as regras respeitadas. Menos no Brasil, é claro, onde a minoria insiste em falar em impeachment de um presidente, como se democracia fosse a vontade coincidente apenas com a vontade desse tipo de gente.

Bem a propósito, aliás, vem à memória Millôr, um escritor e jornalista da época em que o jornalismo combativo era fundamental para a reconquista da democracia em um período em que o regime militar se impunha pela forma, com os requintes jurídicos que só o Direito é capaz de legitimar, dizia que “democracia é quando eu mando em você e ditadura é quando você manda em mim”. Pelo sim ou pelo não, impeachment no Brasil deve estar sendo confundido com o VAR. Sobre ele todos opinam, sobre as consequências poucos avaliam.

É bem verdade que hoje o jornalismo mergulhou num esgoto militante. De direita ou de esquerda – em sua maioria – poucos são os que se comprometem com a informação, preferindo expelir ódio como opinião. E o mais grave, com uma “patologia gramatical” desafiante. Mas haveremos de ultrapassar essa imbecilidade prevista por Nélson Rodrigues.

Num imaginário encontro, hoje, com Abraham Lincoln eu imagino o que diria esse “pai fundador” por ter vaticinado que “a democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. Certamente ele mesmo perguntaria: Onde está o povo? Bom, o povo não foi convidado para a festa, até por que se fosse sobraria espaço na praça.

Com a engenhosidade da América, e ao contrário dos desfiles coercitivos dos países que só pela esquerda do Brasil são tidos como paradigma de Éden, o problema foi solucionado. Bandeiras americanas, ao que se sabe, 190.000 (sim, cento e noventa mil) foram colocadas para que a comunidade internacional não perceba que a maior fraude da história eleitoral dos Estados Unidos possibilitou essa posse.

Não conheço outro país no mundo que se orgulhe tanto de sua bandeira quanto os Estados Unidos. É algo admirável, pois a conquista da Nova Terra preserva símbolos e signos como elementos de identidade da nacionalidade.

No Brasil a própria Constituição da República estabelece – art. 13 – como um dos símbolos a bandeira nacional, com o propósito de demonstrar perante a comunidade internacional que há um estado soberano, instituído com base em valores democráticos e com símbolos próprios. Claro, aqui, se não for algum evento desportivo ou datas comemorativas oficiais, além de prédios públicos, o descaso é notório.

Eu vejo pessoas vibrando pela posse do novo presidente americano, como se ele fosse a salvação das ideias dessa gente de esquerda. Lastimo contrária-los. Conquanto o lema não seja oficialmente “America first”, na prática continuará sendo, embora com um populismo retórico e ocasional próprio dessa gente que deseja varrer a sujeira para debaixo do tapete, mas que sabe muito bem escolher quando o assunto é o cidadão americano.

Deus permita que esse presidente preserve a abstenção beligerante armada do presidente que sai, ao contrário do seu antecessor.

Como eu disse, sobram bandeiras na praça, falta povo. Sobram os que apostam que um democrata na presidência imporá ao Brasil medidas que inviabilizem o atual governo mais do que já foi, o que importaria em acelerar um impeachment. Essa gente é aquela mesma que insiste em achar que democracia é erguer o braço em uma eleição sindical, cujo resultado é de conhecimento prévio. Afinal, o povo é um detalhe.

Deus salve a América!

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