CHORO SEM LIBERDADE

Ano 09 – vol. 03 – n. 27/2021

Talvez o grito não tenha sido ouvido. Talvez sequer saiba do choro contido. Talvez, talvez!

Se o choro do escravo não bastou para mostrar que o ser humano não tem dono. Se a carne dilacerada não serviu para mostrar a dor, o que, afinal, servirá para traduzir a liberdade?

Não! Não me interprete mal!

Do cárcere muitos choraram para que muitos, hoje, pudessem, livres, sorrir. O sangue escorrido em corpos subjugados foi a tinta com que se escreveu LIBERDADE!

Não! O choro não é livre. Isto não é liberdade!

Liberdade é ter acesso a educação, a saúde, a alimentação, ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteção à maternidade e à infância, à assistência aos desamparados, como prevê a Constituição da República.

Por que, então, os que não tem acesso ao emprego remunerado bem além da média da remuneração mais elevada do Brasil, como a do meio televisivo, deva apenas chorar? Não! Liberdade não é chorar. Liberdade é poder ser feliz.

Libertas quae sera tamen parece ter sido, já nos legaram os inconfidentes, porque o ser humano merece ter respeitada a sua dignidade. Nada, a despeito da unanimidade anunciada (mentirosa, aliás) justifica a clausura.

Hoje eu chorarei não pela liberdade, mas porque quem deveria defendê-la por todas as razões, a tenha segregado ao choro.

Eu choro por ti!

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