Ano 09 – vol. 09 – n. 67/2021
Há uma espécie de mantra repetido por muitos, sobretudo os que tiveram limitações impostas pela censura, pelo exílio ou pela prisão no período em que ficou rotulado como “os anos de chumbo”: Por pior que seja o parlamento é melhor ele aberto.
Claro que ninguém deseja um parlamento fechado. Claro que é da essência da democracia representativa o funcionamento do parlamento, mas mais claro ainda é que um parlamento sem atenção a sua base constitutiva é uma especie de casamento com incompatibilidade de gênios, sustentado por conveniências.
As ruas têm voz, o que lhes querem tirar é a vez.
Pois bem, as ruas já declararam, mais de uma vez, que quem não observar a vontade popular estará fadado a ser defenestrado da vida pública. A menos que contem com uma titubeante apuração do pleito eleitoral.
A propósito disso o parlamento resolveu estabelecer limitações a que juízes, policiais, militares e membros do ministério público possam ser candidatos a cargos eletivos, sem que cumpram a denominada quarentena.
A Câmara dos Deputados, a despeito de desfazer o que já havia sido feito, posteriormente desfeito, fez como o último a chegar à padaria na madrugada e põe a cereja no bolo. Depois diz que só atendeu a preferência da clientela.
Ouso dizer que o atual Congresso Nacional não possui nenhum compromisso com a atual Constituição. Se tivesse, teria compreendido que as normas constitucionais no que dizem respeito ao Direito Eleitoral tiveram como propósito expurgar a promiscuidade dantes ocorrida naquele período de que todos falam e grande parte condena: o período de exceção.
Não há nenhuma dúvida que uma norma aprovada agora, desde que entre em vigor até o dia 30 de setembro, poderá ser aplicada para o próximo pleito. Mas também não há dúvidas de que esse comportamento da Câmara dos Deputados se assemelha e muito ao jogador pereba que tem vez no time, só porque é o dono da bola.
Acontece é que jogo sem torcida, já demonstrou a pandemia, perde em alegria, torna audível a gritaria e revela os perdedores desleais, que simulam pênaltis, faltas e até agressões verbais.
A torcida somos nós. É nossa força. É nossa voz. E quando os jogadores não apresentam rendimento suficiente logo compõem a lista de dispensa.
Os parlamentares do Brasil insistem em se demonstrar irrelevantes por que descompromissados. Deus queira que não se demonstrem desnecessários porque não haverá prorrogação. O apito está em nossas mãos. Exigimos respeito ou vocês irão para o chuveiro.