A UM PASSO

Ano 09 – vol. 12 – n. 77/2021

– Seu certificado, por favor, disse-me em tom incisivo o atendente, do hotel mas, não hesitou em afirmar: Sabe como é, doutor, é uma lei do governador.

Mais tarde, no acesso ao restaurante, já não ouvi: Mesa para quantos? O cumprimento veio seguido de: Seu certificado de… Sabem do que falo. Só não posso dizer porque a “Gestapo digital” me conduz à fila do forno.

Essa é a experiência que vivi. Esse é o estado em que deixaram o Estado do Ceará, onde a natural beleza de sua capital, uma Fortaleza abençoada, encontra em atos e gestos de cientificidade tão reclamada outrora, a falência da inteligência do razoável proceder.

Afinal, se tenho o certificado porque seguir com a face escondida? E se a face está escondida, para que serve o certificado se estou tecnicamente precavido? Sabe como é, sou só mais um a indagar tolices no mundo dos sábios e especialistas efêmeros.

Desapareceram os termômetros, reapareceram as luvas e sacos plásticos em proporção de futuros danos ao meio ambiente, alimentando a pauta daquela gente que desmata, polui, mas se sente autorizada a pautar o resto do mundo.

A angústia que cada acesso a um restaurante ou hotel representa traz consigo a inevitável indagação: Mas não me disseram que era pra tomar duas doses? Afinal, qual risco eu represento? E se represento, terei que me filiar a um partido político ou escola de samba, organismos em que se vê aglomeração sem riscos?

E por que o homem se cala, como se indiferente ao mundo fosse, não percebe que em sua face, sem ferro e brasa, já se encontra marcada a estrela de seis pontas, aquela que, há mais de setenta anos, estigmatizou um povo, condenando-o à morte.

Ponho-me na clausura do apartamento e contemplo o belo mar. Na sua dimensão comparo a proporção da paranoia dos que nada explicam, senão gestos de insanidade coletiva, porque o rebanho, hoje, carrega nas mãos um aparelho que tudo informa, mas não tem a capacidade técnica de despertar o discernimento humano.

Mãos ao alto, cidadão! Ou seu certificado ou entre na fila do crematório moral, dos que perderam a dignidade por não terem sido subservientes aos ditadores dos novos “costumes”.

O símbolo daquela estrela jamais será apagado da história da humanidade. Pelo visto, também, as vocação para as mesmas práticas, hoje, aperfeiçoadas pela tecnologia, mas essencialmente com a mesma finalidade.

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