SOB TARJAS OU VETADO?

Ano 11 – vol. 05 – n. 26/2023 – https://doi.org/10.5281/zenodo.8322328

CONTÉM IRONIA

Eu me propus a falar sobre liberdade como direito fundamental. Não como expressão lírica como já qualificada por VETADO ao afirmar VETADO.

Ao refletir lembrei que os programas de rádio e tv, produções artísticas e literárias, enfim, em tempos passados, eram classificados pela censura federal com a palavra VETADO, e a presença de tarjas pretas ou a expressao VETADO. Ali estava o controle do estado. A sensação é que voltamos no tempo.

Verdade ou não, lenda urbana ou não, a ferocidade da censura era tamanha que chegaram a confundir um livro (talvez minha memória me traia) A Capital Federal com O Capital de Marx. 

Hoje, ao visitar as redes sociais, me deparei com a mesma genética rançosa de tempos passados ao ouvir que VETADO ou acontecerá com VETADO o que nós consideramos VETADO.

Quando soube de uma decisão judicial pautando temas sobre os quais um humorista (que não me agrada como artista) não poderia abordar eu debelei qualquer dúvida. Realmente estamos na VETADO da ditadura, a mais cruel delas, a de esquerda.

Mas o rol ainda não terminara. Vi, também, um julgamento cassando deputado federal por um fato que sequer crime é, porquanto a potencialidade de um fato não implica em sua existência, apenas uma possibilidade. A exceção será se houver indícios de que a consequência esteja pre-anunciada em ranço de vingança, sem que os algozes a escondam.

No dia seguinte li que um ex VETADO suspendera o curso de um VETADO para, mais tarde decretar a sua prescrição em claro e ineludível prejuízo ao contribuinte. O mais grave é que ele VETADO passou a atuar em nome de VETADO como VETADO sob a régia retribuição de VETADO. Se penalmente isto não for VETADO já não sei o que significa ser VETADO.

Bom, eu lembrei da saída adotada por um ex-ministro do regime militar para tudo o quanto lhe perguntavam. Sempre respondia: Nada a declarar. Hoje, os tempos são outros. 

Ninguém chega a lugar algum sob ameaças sem que demonstre fraqueza. Mas é preciso saber que VETADO isso ocorre. É que o que transpareça propósito democrático e preocupação social pode não passar de VETADO que acompanha a amargura.

O Brasil, também, está em estado de desorganização intelectiva. Quando se fala alguma coisa duas outras tem que ser consideradas: a – quase sempre é necessário fazer uma ressalva esclarecendo sobre o que se vai falar; b – saber que o que se vai falar está despersonificado ao ponto de não ser transformado em fofoca.

A situação é tão grave que já tive a oportunidade de me valer de emojis de risos para, só então, contar a piada. Isto quando não tive que dizer que o texto continha ironia, como este. Mas isto é apenas produto de um baluarte da educação que tem em alguns seguidores os VETADO da apologia à glamourização do crime.

O fato se aplica à legislação. Não por ausência de normas, mas pelo ultraje que elas sofrem quando VETADO ou quando VETADO fala que VETADO.

Chego a temer hoje mais as autoridades, pelo que dizem, sem o menor pudor que VETADO caso não ocorra VETADO segundo VETADO. A sensação é a mesma da surpresa em que nos deparamos diante da mão armada do bandido que rouba o celular, mas é incensado por VETADO sob a alegação de que VETADO. O sentimento que nos resta?, bom…, só impotência. 

Nelson Rodrigues continua tendo razão. E tem por que eles venceram, sem necessidade de tarjas, já que se multiplicam como bactérias, em proporção tamanha que sublimam a própria supressão da liberdade. Quando acordarem (se acordarem) terão sido descartados como material inutilizável. Serão dejetos do que parecia ser humano.

Caro leitor. Espero ter conseguido dizer como VETADO na ditadura (de farda ou de gravata) porque os ditadores podem bem ser identificados como VETADO. Infelizmente está VETADO. É assim que a sua indiferença e aplauso ao abuso de autoridades fará de você, além de cúmplice, a próxima vítima e VETADO poderão socorrer você porque estarão VETADO por quem hoje você incensa. 

VETADO

Um comentário em “SOB TARJAS OU VETADO?

Deixe uma resposta