Ano 11 – vol. 07 – n. 38/2023 – http://doi.org/10.5281/zenodo.8313510
As ondas da história, quando acontecimentos se repetem, talvez traduzam a maior confissão da irresponsabilidade ou falta de compromisso público dos políticos. Claro, a menos que haja um projeto de poder (e por ele pouco importa o custo) desde que sobre os ombros de terceiros que não o Entourage seja distribuído o ônus, tudo vale.
Em sã consciência ninguém pode duvidar de que este país necessite de uma reforma tributária. O Estado não possui outra fonte principal de financiamento senão a tributária, mas necessita, de modo idêntico e com urgência, também, de uma reforma política radical.
Antes de ambas, todavia, nós precisamos (desde sempre) de uma transformação que resgate o sentimento tradutor da fidelidade dos nacionais que desejamos ser, a despeito de todos os destemperos que temos assistido pela mídia.
Se a intenção é séria, célere não pode ser uma reforma que suprima do contribuinte o direito de ter debatido exaustivamente o ônus do financiamento. Fora disso é remendo, não reforma.
Se ao leitor não parecer o exercício é simples. Adianta colocar em mãos dessa gente que compõe o atual cenário político mais dinheiro do contribuinte com essa consciência de hoje? Lamento, mas não creio.
A classe política do Brasil em geral acostumou-se ao comportamento perdulário, convicta de que a res publicae outra coisa não é senão a res nullius, desejando perpetuar a “Lei do Gérson”, em que levar vantagem dá a dimensão ética de alguns que pararam no tempo. Pois eu lhes digo, meus caros, a história se repete com requintes cujas proporções podem até não ser as mesmas, mas as consequências são tão nefastas quanto. É o horizonte que sinaliza isto.
Já não há mais nenhum pudor em esconder que o Congresso Nacional se ajoelha aos encantos de emendas em troca de votações, com a cumplicidade midiática que silencia sobre o que foi apelidado de secreto outrora, mas hoje silenciosamente é aceito como normal, como se funções e atribuições públicas pudessem ser desempenhadas sob o impulso do dinheiro (público, a bem dizer) em uma esbórnia que lembra o putsch da cervejaria de 1923.
Há nestes país falta de compromisso público porque há falta de vocação para a política? Não sei responder, embora possa elucubrar que para a esperteza sobeje vocacionados.
A história registra que um certo parlamento no século XX aprovou a “Lei Habilitante”, que dava a um certo senhor “poderes legislativos exclusivos por um prazo renovável de quatro anos”. Nele, também, estavam inclusos o controle orçamentário, a aprovação de tratados internacionais e até fazer emendas à Constituição”. Como se vê, eles não chegaram de uma vez, traçaram um terrorismo seletivo.
A cada passo dado pelo Estado reduz-se a liberdade do cidadão, por isso mesmo sendo atual o audacioso (no juízo deles) desabafo de Otto Wels, um líder social-democrata da época: “Você pode tirar nossas vidas e nossa liberdade, mas não a nossa honra. Estamos indefesos, mas não desonrados.”. É assim que nós, brasileiros, estamos.
O mesmo parlamento, depois, foi considerado despiciente. Tomara que neste particular nossa história não importe o episódio – a tragédia do Reichtag.
COMO ISSO PODE ACONTECER? Bom, é apenas o subtítulo do livro NAZISMO, de Eduardo Szklarz, pela Editora Jandaíra – SP, de 2022.
Que seja só um livro que contenha alertas, para restaurar a luz que faça cessar a penumbra, por um pouco de lucidez apenas.