Ano 13 – vol. 09 – n. 78/2025
https://doi.org/10.5281/zenodo.17079235
A imaginação nos é uma fonte rica que vivifica a criatividade.
Já escrevi algumas cartas ao Rei Luís XIII, embora pouco difundidas, para conversar imaginariamente. Hoje, resolve deixar ao capuchino Claude (a quem chamo de xará) a autoria da carta, como uma espécie de ressurreição.
A homenagem à cidade não deve mergulhar apenas em poesia e lirismo, mas, também, na realidade cotidiana para se saiba o que houve e até onde se chegou.
Que este Cláudio (pelo Claude) possa contribuir.
Feliz aniversário, São Luís, “Patrimônio Cultural da Humanidade”.

À Sua Majestade Cristianíssima, Rei Luís XIII de França
Da Ilha de Upaon-Açu, a vossa homenagem nomeada São Luís, aos 413 anos de sua fundação.
Majestade Cristianíssima,
Ressurgido pela graça insondável do Altíssimo, tomo a pena para relatar-Vos o que meus olhos presenciaram nesta Ilha de Upaon-Açu, nomeada São Luís em Vossa homenagem. Passaram-se quatrocentos e treze anos desde que, sob os estandartes da França, Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, e François de Razilly proclamaram as Leis Fundamentais do Maranhão, sonhando erguer aqui uma nova França Equinocial.
Oh, Majestade! As marés do tempo mudaram. A fortaleza que outrora almejávamos erguer foi tomada pelos portugueses na célebre Batalha de Guaxenduba, e o domínio francês se dissipou como a bruma matinal. Contudo, este solo não perdeu sua grandeza. Hoje, São Luís floresce não pelas armas, mas pela poesia: Sousândrade, Gonçalves Dias, Nauro Machado e Bandeira Tribuzi transformaram a cidade em templo de versos eternos.
“A cidade é um rio parado,
mas suas águas cantam,
e a memória é a maré
que insiste em voltar.”
— Bandeira Tribuzi
Assim, Majestade, São Luís, vossa herança tropical, tornou-se a Cidade dos Poetas, onde o espírito francês respira entre ruas de azulejos e memórias de fundação. Se o domínio político escapou-nos, o domínio da alma e da palavra aqui se perpetua.
Com a mais elevada reverência,
Claude d’Abbeville
Capuchinho da Missão do Maranhão
Notas Históricas
Bandeira Tribuzi — Poeta maranhense (1927–1977) de vanguarda, Tribuzi fundiu o lirismo com a modernidade. Seus versos retratam São Luís como memória viva, entre o passado colonial e o presente pulsante.
Leis Fundamentais do Maranhão — Conjunto normativo proclamado pelos franceses em 1612, destinado a regular a vida civil, o comércio e a convivência entre colonos e povos originários.
França Equinocial — Projeto colonial francês que tentou consolidar o domínio no norte do Brasil entre 1612 e 1615, findo com a Batalha de Guaxenduba e a vitória portuguesa.


Frontispício ilustrado da obra Histoire de la mission des pères Capucins en l’île de Maragnan, de Claude d’Abbeville (1614) — ideal como frontispício da carta.

Gravura antiga evocando paisagens ou cenas coloniais, adequadas como imagem de ambientação.

Retrato histórico de figura aristocrática francesa do período, apropriado para sugerir Daniel de La Touche.