Ano 09 – vol. 02 – n. 21/2021
Quem não se lembra da cena?
Diplomação do presidente Jair Bolsonaro, oportunidade em que a ministra Rosa Weber, então presidente do TSE presenteou o diplomado com um exemplar da Constituição da República? Era 2018 e o recado pareceu claro: Governe com respeito a este documento. É ele o manual de funcionamento de todas as instituições e a salvaguarda de seu povo.
O tempo passou e logo começamos a nos deparar com alguns episódios que abalaram a estabilidade constitucional, o coração dos vocacionadas ao Direito e a todos em geral. Mesmo aos que não consigam compreender que a democracia exprime a vontade declarada, seja ela a melhor ou não.
De intromissões em escolhas de servidores públicos, de invasão de méritos de decretos a declarações prévias sob aceitação ou não de políticas sanitárias pelo STF, de política administrativa de segurança pública, da edição de decretos privativos do Poder Executivo até invasão de competência do Ministério Público, com o encarceramento de jornalistas, empresários, cidadãos comuns, tudo em desconformidade com os preceitos constitucionais e legais mínimos.
O Brasil é uma das repúblicas que assinaram o denominado Pacto de São José da Costa Rica, assim denominada a CONVENÇÃO AMERICANA DOS DIREITOS HUMANOS, de 22 de novembro de 1969, o documento, dentre tantas regras, estabelece a instituição “de um regime de liberdade pessoal e de justiça social, fundado no respeito dos direitos humanos essenciais”.
Este documento foi ratificado pela República Federativa do Brasil através do Decreto 678 de 6 de novembro de 1992. Portanto, já em vigor a Constituição cujo exemplar foi solenemente entre ao então diplomado Presidente da República.
Lembrado o acontecimento que foi pauta do populismo de oposição, eis que se justifica o título deste escrito. Afinal, quantas Constituições tem o Brasil?
A contar pela interpretações que lhe tem sido dadas diria que em verdade há uma esquisita maneira de se ler a Constituição.
Ponham na cabeça uma coisa de uma vez por todas. Por mais que queira o STF, por mais que seja clara a postura ideológica de ministros quando se contorcem para, a fórceps, extrair o que o texto constitucional não diz, é decisão política soberana do povo ter escolhido um presidente que não um outro derrotado. Tosco ou poste, esse foi o jogo cujas regras foram jogadas.
Fim de linha. Aceitem. Dói menos e possibilita ao Brasil, que vive uma pandemia dos infernos, um combate vacilante e uma corrupção já denunciada, ao menos tentar salvar pessoas que merecem respeito na sua dignidade real, não aquela cujo esboço quase nunca se transforma em desejo desses “artistas claudicantes” do Direito.
Invasão de competência, avaliação de mérito de ato administrativo, criação de crime sem prévia previsão legal, usurpação de competência constitucional, de tudo já se viu um pouco. É preciso uma basta.
Talvez tenha chegado a hora do presidente da república devolver o exemplar da Constituição que recebeu. Pelo visto, era o último.