ESQUECIMENTO E APRENDIZADO

Ano 11 – vol. 01 – n. 06/2023 – https://doi.org/10.5281/zenodo.8332726

Há fatos que nem o autoritarismo que inunda a mídia de plantão pelos auxiliares do atual presidente do Brasil consegue apagar da memória. Menos a deles, seletiva pelas circunstâncias.

A cada investida na mídia uma espécie de ameaça, como se detivessem a legitimidade e autoridade suficientes para transformar fatos, mudar acontecimentos, subtrair circunstâncias da história. Não! Está tudo aí para quem desejar ver.

Li pelo twitter a comemoração de um senador da república, de um entusiasmo saltitante, que celebrava o retorno dos carros pipa ao nordeste. Viva! Eles voltaram!

Durante minha vida acadêmica os discursos sobre isso foram de que os carros pipa eram o símbolo dos coronéis que mantinham o sertanejo em rédea curta. Com isso, a dependência seria eterna.

Constato, agora, que em verdade aquilo que fora motivo de entusiasmo e sedução para nós, incautos estudantes, não passava de um populismo barato e renitente. A diferença, hoje, é que os coronéis estão muito mais jovens, a tripudiar, sem a menor cerimônia, do povo dependente da água que a todos é necessária.

Esse tipo de gente não quer outra coisa, senão um bom palanque de onde possa apontar o dedo. Na primeira rebordosa nasce o mi mi mi a que estamos acostumados.

Nos quatro últimos anos eu li, quase diariamente, acusações contra comportamentos e posturas (algumas) desmentidas com menos de vinte e quatro horas que estão, às claras, sendo cometidos em menos de 15 dias de governo. E o que é pior: essa gente pensa que nós não nos lembramos.

Nessa primeira viagem ao exterior foi anunciada a primeira obra do atual governo. Um financiamento de um empreendimento na Argentina, de questionável sustentabilidade ambiental. Sim, lá onde o presidente (deles) diz que não há inflação e (o de cá) diz que eles estão muito bem das pernas.

Mas o correto não seria priorizar as obras aqui? Afinal, o presidente de um país não deve por a sua gente antes de qualquer outro povo?

A história está aí escrita. Através do BNDES as operações policiais identificaram, prenderam e a justiça processou e condenou um universo de pessoas. Valores vultosos foram repatriados. Em todos os mecanismos de fiscalização que agiram tecnicamente ficou claro que houve prejuízo ao Brasil.

Pois não é que uma montanha de gente fala em usar o mesmo mecanismo como tentando transformar a prática em investimento? Claro que não é. Claro que há precedente de pleno e amplo conhecimento, claro que há sinalizações vivas de que nós afundaremos com o Brasil nessa ladeira abaixo que transformou em quinze dias em pó tudo o quanto conseguiu ser recuperado.

Não há, até aqui, nenhum projeto que se possa dizer que envolva compromisso com o Brasil. Nenhum. Porque não há outra coisa, pelo que se vê; só um projeto de domínio, de poder, sem qualquer sinalização de dignidade das pessoas, pois o que se tem conhecimento é de corte de direitos alcançados, tudo em nome de desfazer o que foi feito pelo governo anterior.

A insensatez que insiste em manter estreitas ligações com ditaduras põe em risco a própria credibilidade do nosso país, porque no meio desse tipo de gente já há autoridades sendo monitoradas, razão dos passos calculados de alguns para deslocamento.

Sobejam o populismo e o autoritarismo do atual governo, pretendendo transmitir ao povo a ideia de que liberdade é o que essas três ou quatro dúzias de pessoas que constituem o staff pensam. Quem pensar diferente é antidemocrático.

Lamento decepciona-los, mas liberdade é essência da natureza humana, por isso é que os estados possuem um documento que não nasce para dizer o que o homem pode fazer, mas até onde o governo pode agir, para lembrar um destacado republicano americano.

É triste, mas os coronéis de hoje não aprenderam senão o lado mau dos coronéis do passado. O pior é que essa mesma gente que volta à cena não aprendeu nada com o passado, nem com o que o século passado ofereceu com ideologias nefastas, decadentes e desumanas, nem com o que eles mesmo fizeram contra o Brasil.

Muitos serão cobrados pela história um dia, porque quem não aprendeu com o passado vai repetir no futuro no pretérito.

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