Ano 11 – vol. 07 – n. 40/2023 – https://doi.org/10.5281/zenodo.8313079
Pode parecer contraditório o título deste breve escrito. Sim, porque se é plural há reunião de elementos para traduzir que não se trata de singular, no sentido de ser individual. É que o idioma oficial que falamos tem dessas coisas.
O pluralismo, sim, pode ser singular quando significar particularidades em relação ao universo que pretenda representar. Mas a singularidade, aqui, se da pela contradição do que o assunto trata – pluralismo x monocordia.
Quando falo em pluralismo político, por exemplo, conforme previsto na Constituição da República (art. 1o., inciso V) tenho em vista que os contraditórios e suas contradições, as percepções e suas dimensões, possam conviver com seus contrários, com suas contradições e até com seus antípodas.
Mas nós vivemos um momento tão singular, em que não importa o fato, apenas a versão, afinal, depois da teoria da relatividade de Albert Einstein, até a democracia foi relativizada, supondo que seja aplicável ao universo monocórdio, onde não importa estar errado ou desconexo, mas sim estar conforme o que o líder mandar.
A propósito disso colho como exemplo o ato do presidente (que foi posto na cadeira a fórceps) que extingue as escolas cívico-militares (ou sua continuação, seja como for) posto ter sido uma promessa pretérita.
Se há coisa que o Brasil ainda não conseguiu aprender, mesmo após a lei da anistia já declarada constitucional pelo próprio STF, é esse “animus” de vingança contra os militares. A própria autointitulada “comissão da verdade” produziu uma série de inverdades (ou seria “fake news”?!) e impropriedades que desembocaram nos bolsos dos contribuintes.
Então, agora, por mais uma contradição dos tempos monocórdios, nasce uma série de questionamentos sobre a função das escolas cívico-militares que, inobstante o reconhecimento (pelas autoridades) da sua contribuição, devem ser extintas.
Pois bem, os “experts de tudo” logo se posicionaram para dar eco à decisão, sob a inconsistente argumentação de que escola militar ou cívico-militar impõem um tratamento forjado no universo militar, o que não se coaduna com os preceitos do estado democrático de direito em que essas pessoas juram viver.
Eu confesso que tenho compreensão diversa. Creio que essas escolas enfatizam valores e princípios que estão todos aí, apenas deixados nas prateleiras, porque o que importa nesta quadra do Brasil é xingar cristãos, acusar de fascistas os oponentes, gritar em marcha pela liberalização das drogas, desafiar a ciência jurando que a defende…e por aí seguem as estultices.
Talvez, agora, o leitor compreenda a singularidade do pluralismo monocórdio. Só é plural o que concorda com o ponto de vista de uma gente que não tem a menor condição de diferenciar a grande obra do mestre Picasso da grande…do mestre de aço.
Pluralismo (ainda que não se concorde com o oposto) é conviver com diferenças, até porque não há igualdade de argumentos entre pessoas que desafiam o que já se encontra biologicamente provado, sem qualquer demonstração científica em contrário de que esteja ultrapassado.
Das maiores lições que tive de meu pai foi a de que “Existem pessoas para as quais é mais fácil justificar o absurdo do que explicar o óbvio”. De fato, o pluralismo desse tipo de gente é singular. Não chega a ser plural pela ausência de neurônios.
Destaco a determinação de doze governadores (até o momento em que produzo este escrito) para manter as escolas cívico-militares em seus Estados. Quero crer que entenderam que princípios, valores, tradições, símbolos, ordem e disciplina aperfeiçoam os homens e mulheres que necessitam defender a identidade nacional, desafiada pela ideologia criminosa de organizações que estão aí, impunes diante do estado, não porque não existam instituições para impedi-las, mas por notória opção como resultado do que a contaminação do projeto monocórdio desejou fazer.
É ou não singular o pluralismo dessa gente?!