PERSONA NON GRATA: HIC UTI FORIS

Ano 12 – vol. 02 – n. 08/2024

Provérbios – 20 Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne. 21 Porque o beberrão e o comilão empobrecerão; e a sonolência veste o homem de trapos. 22 Ouve teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando ela vier a envelhecer.

https://doi.org/10.5281/zenodo.10934174

Se há coisa que se espera de um chefe de estado é que detenha o mínimo de postura diplomática. Ainda quando ignorante seja (e há vários pelo mundo a fora) sua função política exige comedimento. 

Nunca na história deste país toda uma nação foi enxovalhada pela postura do seu presidente, com uma postura incompatível com o mundo livre. 

As declarações do cidadão ungido a presidente (de legitimidade duvidosa) sobre Israel e o povo judeu, a um só tempo, inapropriadas, grosseiras, inconsistentes e até irresponsáveis, culminaram na declaração de “persona non grata”. O Brasil foi transformado em pária, sendo colocado no mesmo balaio de ditaduras sul-americanas que cometem as mais condenáveis atrocidades contra direitos humanos. 

Há um requinte na cumplicidade da covardia: sempre desvia o assunto quando o tema é falar dos desmandos ou crimes dos seus comparsas, ao invés de condenar o que insiste em defender.

Claro que o presidente do Brasil não pode ser responsabilizado sozinho. Ele possui assessoria, inclusive diplomática, que já sinaliza nas redes sociais concordar com o que foi dito. Basta ver que não se opôs às declarações do chefe, mas à decisão de Israel, pondo a ideologia sobre questões internacionais delicadas.

Na sabedoria popular (provavelmente inspirada em Provérbios 20: 21-23) – diz-me com quem andas e te direi quem tu és– talvez se encontre a resposta. Ele lá não chegou à toa, sem um conjunto de atos e propósitos. O tempo revelará.

O que, entretanto, nos importa no momento, além do vexame a que o Brasil foi submetido internacionalmente, é, o mais rápido possível, tomar duas providências: a) O presidente reconhecer que errou feio, pedir desculpas e tentar se portar com a penitência do silêncio; b) Internamente ser admitido o processamento do impeachment pelo presidente da câmara dos deputados. Se não o fizer estará coadjuvando com uma postura completamente inversa à tradição diplomática do Brasil.

Motivos de fato há. Previsão objetiva também. A Lei n. 1.079/1950. 

Não há mais espaço neste mundo para políticos que incensem os bárbaros como vítimas. O ser humano ou tem valor igual na Venezuela, Nicarágua, Colômbia, Brasil e nas demais ditaduras, ou não terá em lugar algum porque não existem classes, preferências ou estimações. O homem é homem na sua integridade, ainda quando demonstre suas estultices mundo a fora. 

Aqui, como chefe de governo, ou lá, como chefe de estado, restou comprovado que o Brasil necessita de uma mudança urgente.

Persona non grata. Hic uti foris.

Um comentário em “PERSONA NON GRATA: HIC UTI FORIS

  1. Quando fui a Argentina, nos idos dos anos oitenta, fiquei feliz em observar que houvesse uma civilização naquele nível na América do Sul. As cidades com seus edifícios bem desenhados lembravam a Europa, particularmente Madri, na Espanha. As pessoas se trajavam de forma elegante e eram bastante educadas, mostrando que o estado havia investido na educação daquele povo. Voltei outras vezes, e não voltei mais depois da pandemia, e depois da desestruturação do pais. A partir da Argentina, país desenvolvido, os fatos foram por água abaixo, imagino que forças poderiam impedir que as ditaduras não se instalasse em outros países latino-americanos. Agora é o Brasil! Que o Cristo lá de cima do Corcovado, que olha para nós, venha em nosso socorro. Aqui no Maranhão temos Pavão!

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