Ano 12 – vol. 03 – n. 13/2024
https://doi.org/10.5281/zenodo.10934133
Desisti, há mais de quatro anos, de assistir a programas políticos nas televisões do Brasil. Resisto à televisão aberta. Na realidade tornei-me um consumidor do Youtube pelo controle que tenho sobre a programação.
Calma! Não me pareço em nada com o recém-nascido “SNI PÓS-MODERNO”. Não exerço a censura, mas o direito à escolha pelo cenário tenebroso dos dias de hoje.
Na realidade o papel exercido pelos canais de televisão tem sido apenas de estimular a repressão em favor do estado, com a justificativa de que é tudo pela democracia. Não lembro na história deste país ter visto jornalista defendendo a censura no passado. Ao contrário.
É um tal “passar panos” em acontecimentos e reiterar versões em que sobejam inverdades, porque têm prazo de validade que, normalmente, não transpõe as quarenta e oito horas.
Notícia mesmo virou artigo de luxo. Por isso, minha percepção é: veiculada a informação espero o desmentido que virá dos fatos, porque até quando é dever se desculpar, a tentativa de justificativa vem como desculpa.
Vejam só o que aconteceu com a cama e enxoval do Palácio da Alvorada, onde o alvorecer tem sido bem mais soturno do que resplandecente.
Foram feitas filmagens com veiculação em grande estilo, como que se os antigos inquilinos do palácio tivessem subtraído bens públicos, afirmações (levianas ou não) que causaram impacto no noticiário.
O desejo de se mostrar íntima do poder fez com que uma certa jornalista (mais propriamente: militante) transitasse em companhia de quem mais parecia um guia turístico de museu. Foi um espetáculo! Mas o tempo desmentiu os fatos. Tudo estava no mesmo local em que mora o atual inquilino do poder.
Pois não é que essa mesma gente vem agora, como os adolescentes rebeldes, pretender afirmar que a compra de camas, colchões, móveis etc. foi um excesso? Houve até quem sugerisse um pedido de desculpas como única forma de acalmar a situação.
Um instante, maestro!, diria Flávio Cavalcanti.
Tenho para mim que atribuir ato criminoso a terceiro sem prova constitui crime. Também tenho para mim que efetuar compra com dispensa de licitação, com motivação desmentida pelos fatos, também, constitui ilícito. Mas apenas tenho para mim, porque estudei em um tempo em que a Constituição valia para todos, sem a semelhança com a regra de etiqueta de hoje em dia. Por isso, eu só tenho para mim!
É. O Brasil tem sido isto. O mandonismo de coronéis da década de 1940 parece ter renascido nos três poderes, que contam com essa plêiade de militantes que foram (de)formados pelo projeto Paulo Freire cujo resultado é transmitido diariamente a quem ainda assiste a esses programas, uma espécie de conversas que são embaladas por uma pauta comprometida pelo pé de meia do empregador.
Que se dane os fatos. Se houver versões é o que basta. O tricô rola solto.
Talvez por isso eu tenha lembrado do rei Roberto Carlos ao cantar a bela canção: “Nos lençóis macios…”.
É…, talvez por isso eu, também, tenha me lembrado que em uma época passada ele tenha nos embalado com a rebeldia de “E que tudo mais vá pro inferno”. Enquanto isso eu e você vamos pagando a conta.