IDENTIDADE TRIPUDIADA

Ano 12 – Vol. 06 – N. 31/2024

https://doi.org/10.5281/zenodo.14536565

Quem um dia se pôs a serviço da pacificação do Oriente Médio hoje não passa de um pária.

Quem um dia teve presidentes que guardavam a compostura pública (inobstante cultivassem maus vícios) perece pela falta de virtudes.

Quem serviu para mediações e pacificações hoje escolhe lados e se alinha ao eixo do mal.

Não resta muito para que este país nada mais seja além de uma republiqueta, onde a imprensa regiamente paga, se insurge contra a provável eleição de Trump, por ter sido condenado em primeira instância, mas se cala e aceita, com a cabeça baixa, que seu próprio país seja (des) governado por uma pessoa não apenas judicialmente condenada em três instâncias, mas pela substancial maioria do seu povo.

Não trato de eleições. Isso é assunto que virou tabu no Brasil, pois é o único lugar do mundo em que se celebra a máquina, ainda quando fatos carreguem sempre a força do visível.

Não sinto vergonha de ser brasileiro, mas sinto vergonha dos políticos que continuam ardilosamente a pretender cobrir o sol com a peneira, ainda quando estejam pondo suas vidas na vala comum.

Temo, sim, a direção que tomamos sendo signatário da Carta das Nações Unidas, mas nos comportando como se tivéssemos assinado o “estatuto” do PCC.

Perante o mundo democrático seremos esculachados. A menos que tenhamos um passaporte diplomático, integremos uma comitiva presidencial, ou outra Entourage qualquer. Nesse caso nos será favorável um decreto de seguro chamado sigilo pelo tempo que o humor do signatário imaginar.

Não preciso nem mergulhar numa profunda argumentação quanto a um voto no corpo de uma resolução, afinal, jabutis são a cara do processo legislativo no Brasil. Mas é inaceitável (e porque não dizer, repugnante) que o Brasil seja contrário a qualquer defesa de vidas que se encontrem em cativeiros.

O Brasil se revelou nanico perante o cenário internacional, quem sabe o mico de um circo que insiste em discursos politicamente corretos, mas que não passa de um fantoche a quem só falta o bigode.

Fomos tripudiados como povo, como gente, como brasileiros. E o pior de tudo? Bom, o pior é que quando se normaliza a barbarie não há mais humanidade.

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