Ano 12 – Vol. 12 – N. 75/2024
https://doi.org/10.5281/zenodo.14558097
Não exagero ao afirmar que o cidadão (sociologicamente falando) é refém do crime organizado e do estado desorganizado.
Formalmente somos uma república federativa. É o que prevê o art. 1º da Constituição da República.
Se já não tínhamos observância aos princípios republicanos em nenhuma das órbitas – política e administrativa – passamos a destruir o mínimo de federação existente.
Hoje princípios expressos na Constituição não passam de adornos adaptados ao plano subjetivo de cada intérprete que, na maior naturalidade, fala em “interpretação conforme”.
Conforme o que? A pessoa? O humor? A ideologia?
Não precisa ir longe. Basta observar a tal “reforma tributária” – um remendo de trapos – e um decreto sobre segurança pública. Ambos são clara interferência direta nas unidades da federação.
A cada notícia que leio, a cada opinião veiculada pela mídia, me convenço que criminalidade e esquerdismo são irmãs siamesas, fato que se não mereceu das autoridades constituídas providência enérgica, a única solução é desconstituição delas.
Tolerar o crime é normalizar-lhe a práticae, às vezes, sob o argumento de que roubar celular é para “tomar uma. cervejinha”.
Pelas imagens que tem se multiplicado nas redes sociais observa-se que a população começou a reagir contra a bandidagem. Isto é perigoso, mas é o retrato da falência do sistema de segurança pública.
Quem não teve aptidão para interpretar a Constituição, segmentando-a num impeachment, não pode ter sabedoria para tentar uniformizar o que é plural na sua própria essência.
Eu não sou especialista em segurança pública, mas posso supor que a situação do Rio de Janeiro se agravou pela decisão do STF que proibiu operações policiais em morros ou “comunidades”, rótulo cadentemente apropriado pelos consumidores do tráfico de drogas em seus amplos apartamentos luxuosos dos bairros chiques que usam esse serviço pelo delivery.
Não preciso dizer que por mais que o lado bom da PMRJ se esforce é o próprio estado federal que impede seu trabalho.
Agora eu imagino o lado bom da PMMA e fico a refletir se as características – exceto de princípios militares – podem ser tratadas de forma igual. Claro que a resposta é negativa. Cada estado com suas peculiaridades para combate de um crime comum: drogas e corrupção.
Mas tenho para mim que o que aqui identifico como incompetência é na realidade a execução de um competente propósito: tornar refém de uma vez por todas os brasileiros que passaram a pagar os mais altos impostos do mundo, sofrem as maiores violência judiciárias da história e estão desarmados para o exercício elementar da defesa pessoal.
Se isto é o que a linguagem exageradamente artificial – posto que nem casta seja – chama de impulso civilizatório eu cá, por minha liberdade (ainda) permitida, denomino de projeto deformatório de civilização.
Mãos ao alto, cidadão! Você será a próxima vítima. O crime venceu.