Ano 09 – vol. 12 – n. 82/2021
O cenário é de beligerância. Já não há mais bom senso e, portanto, nem espaço, para a dialética que fez do debate o mais rico material humano quando o assunto é pensamento.
É um constante estado de beligerância de idólatras que mergulham em discursos e, não importa de onde venham, reduzem fatos, objetivamente falando, ao: Meu ladrão é melhor do que o teu. A isto seguem as frases feitas, aquelas compostas por um pequeno grupo que instiga pessoas a perderem o bom senso, se é que um dia tiveram.
Eu mesmo perdi amizade (seria amizade?!) pelo registro de um encontro público, testemunhado, com um ministro do STF, em Portugal. Pronto. Fui cobrado, questionado e até insultado por ter feito o twite.
Parei para refletir e conclui que a intolerância nas redes sociais não é questão de democracia. É caso de patologias com pitadas de falta de educação.
Há pessoas que em qualquer assunto encontram um jeito de colocar no post quem eles desejam detratar. E seguem os mantras pré-fabricados, sob a convicção desses idólatras de que estão contribuindo para o debate, quando, na realidade, só destilam frustrações ou mágoas. Quem sabe um mal desempenho sexual, um romance mal vivido, um emprego mal remunerado (ou a ausência dele), uma “boquinha” perdida, enfim, muitas são as motivações.
Há os imberbes, aqueles que são revolucionários de iPhones que normalmente adoram frequentar o “submundo capitalista opressor” pelas baladas da noites, com a destreza nos pés do melhor passista. Às vezes, com uma única garrafinha durante toda a noite (a mesada do papai não cobre excessos) que faz bem questão de exibir, passa a noite tentando, mas lhe falta argumentos que convença a desejada conquista, pois não consegue ir além do mantra que lhe formataram. Resta-lhe, também, as redes sociais como via de depositar frustrações.
Mas as redes sociais ganharam uma quantidade significativa de estúpidos, sim, aquela espécie que não entende de nada, achando-se pós-doutorado em todos os assuntos, dedicando-se a insultar pessoas, porque lhes falta a mínima capacidade de compreender que conviver exige de cada um o contraditório de ideias, a formulação do que Hegel (não é nome de remédio) sustentou ser o “método absoluto do saber”, rotulado pelos estudiosos de seu método de “Método Dialético de Hegel”. Então, é a dialética que nos permite a direção de conviver, debater, concordar ou não, portanto, eu me atreveria a afirmar, que é na dimensão do exercício dialético onde, também, se encontra a dimensão significativa para a convivência: a tolerância.
Longe de mim querer que idólatras, imberbes e estúpidos se dediquem a Hegel, pois nele não sou autoridade, como, aliás, em nada, mas não confundo seu nome com remédio, e ao menos tenho a plena convicção de que ciência não se pode fazer de hipótese única. Isto basta.
Eu bem que gostaria de indicar o Livro dos Livros, que traz consigo a consistência de preceitos, princípios e valores para os homens de boa vontade. Mas aqui, também, encontraria em sentido inverso os que falam em democracia, mas detestam ser contrariados em suas sandices. Aí, meus irmãos, nem desenhando. Eu fico só à espera do milagre de Deus.
Desejo, finalmente, que frente a tanta adversidade tenhamos todos um ano de mais verdades do que versões, porque verdade é o homem feito à imagem e semelhança do Criador.