Ano 14 – vol. 01 – n. 02/2026
https://doi.org/10.5281/zenodo.18146931
O mundo amanheceu com menos um narcotraficante em ação. Sim. Não apenas um ditador a menos mas um narcotraficante que durante quase trinta anos vinha destruindo vidas, famílias e nações com sua participação visível no comercio internacional de drogas.
A ação dos Estados Unidos da América em território venezuelano, por tantos criticada, mas pelas vítimas diretas festejada, trouxe à visibilidade uma nova dimensão que precisa ser observada e merece reflexão.
O discurso sobre violação de soberania envolve um prisma apenas. Ele se cinge ao aspecto territorial do distante Novo Continente. Basta lembrar a tentativa francesa de construir, primeiro, uma França Antártica e, posteriormente, a França Equinocial nestas terras.
Ocorre que o fato geopolítico que se constitui não pode ser avaliado sob uma dimensão doméstica apenas. A prisão do ditador interrompe a continuidade de manutenção de uma ditadura ainda mais cruel – a cubana – cuja sobrevivência ainda era alimentada pelo petróleo da Venezuela. Então, ao que tudo indica, o povo cubano será libertado sem que haja um tiro disparado. As circunstâncias indicam que os ditadores fugirão pelas portas dos fundos.
Mas será consequente também a Nicarágua. O combate decisivo ao narcotráfico internacional interromperá o fluxo por aquele território inóspito e mais essa ditadura viverá seus últimos dias.
Se o presidente dos Estados Unidos mantiver o combate ao narcotráfico, acredito que possa mudar a conjuntura da América Latina, mesmo sabendo que isso é apenas uma justificativa para o projeto militar, econômico e político, o que pra mim já seria legítimo dentro da configuração do Mundo de hoje.
Não se pode, pois, falar em violação de soberania quando se está diante de ditaduras. O conceito não se ergue mais apenas sob a ótica territorial. Ele demanda primeiro que a autodeterminação dos povos assegure a liberdade de um povo que, com segurança preservada, possa falar em soberania internacional. É assim que se esboça a compreensão contemporânea de soberania.
É sedimentado entre os estudiosos que o “Mundo de hoje é diferente. Não é bilateral. Perdeu a multilateralidade europeia, e isso é que incomoda os narcisistas europeus. A realidade visível é EUA x CHINA X RÚSSIA X ÁRABES (Mulçumanos)”.
Importa observar nesse fato dois pontos fundamentais. O primeiro diz respeito a que a operação americana cinge-se à prisão de um narcoterrorista internacional. A prova disso é que ele é réu nos Estados Unidos desde de 2020. A outra coisa a observar é que dentre os crimes contra a humanidade urge que se insira de forma autônoma a transnacionalidade de tráfico de drogas e tráfico humano, duas situações que se constituem em verdadeiras violações à integridade da pessoa humana.
Assim, sem respeito às opiniões contrárias que sedimentam seus argumentos em defesa de soberania, a mim fica claro: a) quem defende soberania invocando a visão cristã deve ter lido a Bíblia em quadrinhos, colorindo desenhos com lápis de cor, no caso, escolhendo as cores; b) considera violenta a extração de um criminoso que teve rejeição do povo pela via pacífica, mas que pela via violenta criou todos os embaraços e não se esquivou de eliminar adversários e permaneceu no poder; c) foi indiferente com o povo da Venezuela quando assistiu ao movimento migratório forçado e que tem exemplos nos semáforos deste país; d) tem um projeto eleitoral pronto para ser executado após já ter cumprido as etapas de cooptação de Judiciário e Legislativo.
De certo que ditadura é ditadura em qualquer lugar e sob qualquer viés. Mas a pessoa humana não pode ser artigo de dissimulação ideológica. As instituições só existem para assegurar a dignidade humana pela dimensão orgânica. Quando elas passam a oprimir perdem sua função e utilidade. É um fascinora a menos no poder. Que o povo venezuelano consiga reconstruir suas vidas e juntar os pedaços de sua pátria para que nunca mais aconteça.
Tenho como estultice a defesa de direitos humanos internacionais e observância do Direito Internacional apenas pelos Estados Unidos da América, mas, simultaneamente, o silêncio diante das violações praticadas por outros Estados.
Transparece, afinal, que os críticos do sequestro do petróleo pelos Estados Unidos são os mesmos que aplaudiram a entrega das terras raras aos americanos para suspensão da Magnistiky.
E para não dizerem que não falei de flores: Sem Anistia!